Geovani Bucci e Naomi Matsui | 11 de fevereiro de 2026 - 15h50

Flávio aposta que 'terceira via' o apoiará contra Lula no segundo turno

Senador diz que partidos do Centrão não devem caminhar com o PT e prevê consolidação da polarização

ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro, eleições 2026, Lula, terceira via, Centrão, PL, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Nikolas Ferreira - (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira, 11, que acredita no apoio da chamada “terceira via” em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, candidaturas alternativas, como a do PSD, não devem romper a polarização entre bolsonarismo e petismo.

A declaração foi feita durante participação no CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual. Para Flávio, o cenário eleitoral aponta para a consolidação de dois polos principais na disputa.

“Todo mundo está vendo que há uma clara opção, por parte da grande maioria do eleitorado, que coloca Flávio Bolsonaro e o candidato ‘das trevas’ com pisos muito altos”, afirmou. “Mas, tenho certeza de que essa possível terceira via, não estando, não passando para o segundo turno, não vai caminhar com o Lula também.”

Diálogo com o Centrão - O senador disse manter conversas com partidos do Centrão e demonstrou confiança de que essas legendas não estarão alinhadas ao PT na eleição presidencial. Segundo ele, as articulações seguem em curso, ainda que de forma reservada.

Flávio citou diálogos com lideranças como Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Gilberto Kassab (PSD), Renata Abreu (Podemos) e Marco Pereira (Republicanos). Sobre este último, afirmou que já foi recebido uma vez, embora tenham “conversado menos”.

Ele avaliou que o processo está dentro do esperado e que ainda é cedo para definições formais. O senador apontou o dia 5 de abril, prazo para desincompatibilização de chefes do Executivo, como marco para que o cenário fique mais claro.

Segundo ele, os partidos ainda analisam se uma coligação nacional com o PL fortalece ou compromete estratégias regionais nos Estados.

Tarcísio e pesquisas - Flávio também comentou a escolha de seu nome como candidato da direita em vez do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Disse que, inicialmente, o governador aparecia melhor posicionado nas pesquisas, mas que o cenário mudou nos últimos meses.

“Todo mundo estava apostando que o Tarcísio seria o candidato indicado pelo presidente Bolsonaro”, afirmou. “Ele aparecia nas pesquisas com números melhores do que os do Flávio Bolsonaro. Só que se passaram esses dois meses e várias pesquisas já mostram isso com relação a mim.”

Cenário em Minas - O senador afirmou que não conversou com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre eventual composição como vice-presidente. Também negou ter sugerido o nome do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para disputar o governo mineiro.

Reconheceu, no entanto, que o parlamentar participará das discussões sobre a definição do candidato bolsonarista ao governo de Minas Gerais.

Flávio concluiu que segue trabalhando para ampliar o número de aliados e consolidar o que chamou de “caminhada da vitória” contra Lula nas eleições deste ano.