Imagens mostram CFA de Cotia em más condições e ampliam pressão no São Paulo
Campos esburacados, estruturas danificadas e colmeia à beira do gramado expõem cenário delicado em meio a dívida de R$ 900 milhões
CRISE NO TRICOLORO Centro de Formação de Atletas (CFA) do São Paulo, em Cotia, na Região Metropolitana paulista, aparece em imagens divulgadas nesta quarta-feira, 11, pelo portal ge, em condições consideradas precárias. O espaço, destinado às categorias de base do clube, apresenta problemas estruturais em meio a um período de dificuldades financeiras e administrativas enfrentadas pelo Tricolor.
As imagens mostram campos de treinamento com buracos e presença de cogumelos em parte da grama. Um dos bancos de reservas está sustentado por um pedaço de madeira. Em outra área próxima ao gramado, há uma colmeia de abelhas instalada na estrutura. Também é possível ver placas de publicidade de patrocinadores rasgadas.
Cotia é historicamente apontado como um dos pilares do clube, responsável pela formação de atletas que abastecem o elenco principal e geram receitas com transferências. O cenário registrado, no entanto, contrasta com a importância estratégica do centro de treinamento.
Pré-temporada mudou de local - No início de janeiro, o São Paulo planejou realizar a pré-temporada do elenco profissional em Cotia. Os jogadores comandados pelo técnico Hernán Crespo treinaram no local por apenas quatro dias. Depois disso, as atividades foram transferidas para o CT da Barra Funda, na capital paulista, onde o time principal costuma trabalhar.
De acordo com a reportagem, o clube informou que, no momento em que as imagens foram feitas, o CFA passava por manutenção. Segundo o São Paulo, o campo utilizado pelos profissionais foi o último a ser reformado.
O clube argumentou ainda que os reparos não puderam ser antecipados por causa do calendário apertado no fim do ano, que incluiu jogos de escolinhas e eventos de patrocinadores. Partidas de confraternização, por exemplo, não puderam ocorrer no Morumbis devido à realização de shows no estádio.
Base como fonte de receita - A situação estrutural ganha ainda mais relevância diante do momento financeiro do clube. O São Paulo enfrenta uma dívida estimada em cerca de R$ 900 milhões.
Em 2025, a venda de cinco jogadores formados nas categorias de base rendeu ao clube R$ 208,34 milhões. O desempenho esportivo também manteve Cotia em evidência. Neste ano, a equipe são-paulina ficou com o vice-campeonato da Copinha, um ano depois de conquistar o título da competição.
A formação de atletas tem sido uma das principais alternativas para equilibrar as contas e manter competitividade em campo. Por isso, as condições do centro de treinamento voltam a gerar debate entre torcedores e conselheiros.
Instabilidade na administração - Além da crise financeira, o São Paulo enfrenta problemas administrativos. Em janeiro, Júlio Casares renunciou à presidência após a revelação de um suposto esquema de desvio de verba no clube. O caso é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
As autoridades também apuram suspeitas de venda ilegal de camarotes e cobrança irregular a concessionários.
A divulgação das imagens do CFA ocorre nesse contexto de instabilidade, em que o clube tenta reorganizar sua estrutura financeira e administrativa enquanto preserva o principal ativo esportivo: a base de Cotia.