Marina Borges | 11 de fevereiro de 2026 - 14h30

Ronald Araújo revela que enfrentou ansiedade e depressão no Barcelona

Zagueiro uruguaio diz que conviveu por um ano e meio com problemas emocionais e pediu afastamento para tratamento

ESPORTE
Ronald Araújo revelou que conviveu com ansiedade e depressão enquanto defendia o Barcelona. - Foto: Imagem Ilustrativa/ A Crítica

Capitão do Barcelona, o zagueiro uruguaio Ronald Araújo revelou que conviveu por cerca de um ano e meio com ansiedade e depressão enquanto seguia atuando pelo clube espanhol. Em entrevista ao jornal Mundo Deportivo, o defensor detalhou o período em que precisou interromper a rotina para cuidar da saúde mental.

O retorno aos gramados aconteceu na vitória por 2 a 1 sobre o Albacete, pelas quartas de final da Copa do Rei. Foi a primeira partida como titular na temporada. Além de boa atuação, Araújo marcou o gol decisivo da equipe catalã, em um jogo que classificou como positivo física e emocionalmente.

Segundo o jogador, a decisão de se afastar foi tomada após a expulsão em uma partida contra o Chelsea, em Londres, pela Champions League, no fim de novembro. Ele explicou, no entanto, que o episódio foi apenas o ponto de ruptura de um processo que já se arrastava havia meses.

“Eu não estava bem há muito tempo, talvez mais de um ano e meio. A gente tenta ser forte (...), mas eu sentia que não estava bem. Não só no esporte, mas também na minha família e vida pessoal. Eu não me sentia eu mesmo, e foi aí que a ficha caiu e eu disse: Tem alguma coisa errada, preciso falar e pedir ajuda”, afirmou.

Ansiedade que evoluiu para depressão - De acordo com Araújo, o quadro de ansiedade evoluiu para depressão durante o período em que continuava jogando normalmente. O problema afetou diretamente o rendimento em campo e a forma como se percebia dentro da equipe.

“Eu vinha lidando com ansiedade há um ano e meio, que se transformou em depressão, e eu estava jogando assim. Isso não ajuda, porque em campo você não se sente você mesmo. Você sabe o seu valor e o que pode contribuir em campo, e quando eu não me sentia bem, eu sabia que algo estava errado”, relatou.

O zagueiro contou que precisou reconhecer a situação e buscar ajuda profissional. Ele afirmou que sempre foi uma pessoa reservada, mas entendeu que precisava falar sobre o que estava vivendo.

“Eu sou o tipo de pessoa que guarda tudo para si, mas também é preciso entender que existem profissionais que podem ajudar, que podem nos dar ferramentas para lidar com certas situações… Eu precisava falar e dizer que tinha algo errado comigo para poder me recuperar”, disse.

Apoio do clube e dos companheiros - Araújo revelou que comunicou o problema inicialmente ao diretor esportivo Deco, que acionou a presidência e a comissão técnica. Segundo ele, o clube ofereceu apoio desde o primeiro momento.

“Deco encarou a situação muito bem, de forma muito pessoal. Ele ligou para o presidente e para o gerente, e eles foram fantásticos (…) O clube entendeu desde o início e me forneceu tudo o que eu precisava”, afirmou.

O defensor também destacou o respaldo recebido dos companheiros de equipe. Ele contou que recebeu mensagens de apoio de jogadores como Pedri e Frenkie, que o incentivaram durante o período de afastamento.

“Todas as mensagens foram ótimas. Não consegui escolher só uma. Pedri, Frenkie… Mensagens como: ‘Fique tranquilo, melhore logo e volte a ser o titã que você sempre foi’. Isso foi muito legal porque você vê que eles acreditam em você. Às vezes, por causa de certas situações em campo, você pode achar que está decepcionando eles, mas eles te lembram que estão lá para você e me incentivaram a me recuperar e voltar a ser quem eu era”, contou.

Araújo afirmou ainda que, nos momentos mais difíceis, chegou a enfrentar dificuldades até para sair da cama. O apoio da esposa também foi decisivo para atravessar o período.

Nova fase no Barcelona - De volta ao time, o uruguaio assumiu a braçadeira de capitão após a saída de Ter Stegen. Com contrato até 2031, ele afirmou que encara a nova etapa da carreira com outra perspectiva.

“Não tenho medo de ter uma recaída, estou bem preparado, trabalho com profissionais e estou muito motivado”, declarou.

Para o jogador, o retorno ao futebol representa não apenas uma retomada esportiva, mas também pessoal.

“No fim das contas, somos pessoas além de jogadores de futebol. Não se trata apenas de dinheiro, não se trata apenas de fama. Também sofremos por causa das coisas que acontecem em campo. Temos a sorte de fazer o que fazemos, sim, mas existe a pessoa por trás de tudo isso, existem os sentimentos. Sou grato a todos porque recebi muito apoio durante o período em que decidi parar, e isso ajuda. Precisamos entender que, além de sermos jogadores de futebol, somos pessoas”, concluiu.