Douglas Vieira | 10 de fevereiro de 2026 - 15h43

Câmara mantém veto ao projeto que suspendia aumento da taxa do lixo em Campo Grande

Votação não atingiu número mínimo para derrubar veto do Executivo sobre cobrança para 2026

CÂMARA MUNICIPAL
Vereadores mantêm veto do Executivo ao projeto que suspendia aumento da Taxa do Lixo. - Foto: Reprodução Câmara CG

Os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande decidiram manter o veto do Executivo ao Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspendia os efeitos do Decreto nº 16.402/2025, responsável pelo aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares previsto para 2026. A votação ocorreu na sessão desta terça-feira (10), quando outros seis projetos também foram apreciados e aprovados.

Na votação do veto, foram registrados 14 votos pela derrubada e oito pela manutenção. Para que o veto fosse rejeitado, seriam necessários ao menos 15 votos favoráveis, o que acabou não sendo alcançado.

Entre os parlamentares que optaram pela manutenção do veto, o argumento central foi a necessidade de garantir a arrecadação municipal, assegurando recursos para investimentos e manutenção de serviços públicos essenciais, como saúde, infraestrutura e educação.

Já os vereadores que defenderam a derrubada do veto consideraram o aumento da taxa ilegal e abusivo. Eles argumentaram que a medida foi adotada sem discussão prévia com a Câmara Municipal e com a sociedade, o que teria surpreendido os contribuintes com valores mais elevados. Também foi levantada a necessidade de ampliar a análise do Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), utilizado como base para o reajuste, com maior transparência nos critérios adotados.

A Câmara acompanha o tema desde o início do ano, quando os carnês começaram a chegar às residências. Durante o recesso parlamentar, foi criada uma Comissão Especial para apurar os critérios e fundamentos que levaram ao aumento da taxa. No dia 12 de janeiro, em sessão extraordinária convocada ainda no recesso, os vereadores aprovaram o projeto que tornava sem efeito o reajuste, posteriormente vetado pelo Executivo.

Na última quinta-feira, antes da votação do veto, a Casa de Leis promoveu uma audiência pública para debater o aumento da Taxa do Lixo. Na ocasião, foram apresentados dados técnicos, jurídicos e financeiros, com participação de representantes do poder público e da sociedade.

Outros projetos aprovados - Além da votação do veto, os vereadores aprovaram, em primeira discussão, projetos relacionados à transparência e ao trânsito. Um deles é o Projeto de Lei nº 11.823/25, de autoria do vereador Rafael Tavares, com coautoria do vereador André Salineiro, que veda a utilização de câmeras de videomonitoramento para lavratura de autos de infração de trânsito em Campo Grande.

A proposta mantém como exceção as autuações realizadas por radares e outros dispositivos fixos ou móveis de medição de velocidade, desde que inspecionados pelo Inmetro e utilizados conforme a legislação. O texto também estabelece que as câmeras de videomonitoramento só poderão ser usadas para fins de segurança pública e monitoramento do tráfego, vedada sua utilização para aplicação de penalidades.

Outro projeto aprovado em primeira discussão foi o Projeto de Lei nº 11.934/25, de autoria do vereador Marquinhos Trad, que obriga o Poder Executivo Municipal a manter, no Portal da Transparência ou em repositório digital próprio, a íntegra de documentos públicos relacionados a contratos administrativos, convênios, acordos e termos de parceria, inclusive os já encerrados, pelo prazo mínimo de cinco anos após o término da vigência ou da prestação de contas final.

De acordo com a proposta, os documentos deverão estar disponíveis de forma gratuita, eletrônica, irrestrita e em formato que permita consulta e download integral, sem exigência de cadastro prévio, respeitados os sigilos previstos em lei.

Também foram aprovados projetos de decreto legislativo concedendo honrarias. Por proposição do vereador André Salineiro, receberam a Medalha “Destaques da Década de Reconhecimento – Juvêncio César da Fonseca” o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Edil Albuquerque e Carlos Alberto de Assis, diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul.

Em única discussão, os vereadores aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo nº 3126/26, de autoria do vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, que concede a mesma medalha ao empresário Edvaldo Arakaki. Também foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo nº 3127/26, proposto pelo vereador Epaminondas Neto, o Papy, que concede a Medalha “Dr. Arlindo de Andrade Gomes” ao pastor Ronaldo Leite Batista.