Naomi Matsui e Victor Ohana | 10 de fevereiro de 2026 - 13h45

Edinho Silva defende debate sobre revisão da autonomia do Banco Central

Presidente do PT diz que tema deve ser discutido no Congresso, apesar de resistência da Câmara

POLÍTICA ECONÔMICA
Edinho Silva defende debate no Congresso sobre a autonomia do Banco Central. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, defendeu nesta terça-feira (10) a abertura de um debate no Congresso Nacional sobre a revisão da autonomia do Banco Central (BC). A manifestação ocorre em meio às discussões relacionadas ao caso Master e contrasta com a posição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou não ter intenção de pautar o tema.

Edinho falou com jornalistas na Câmara após participar de uma sessão solene em comemoração aos 46 anos do PT. Segundo ele, discutir a autonomia do BC não significa fragilizar o sistema financeiro, mas, ao contrário, fortalecer as instituições por meio do diálogo democrático.

“Queremos também proteger o sistema financeiro brasileiro, que é um dos mais respeitados no mundo. Todos os temas estruturantes, que são temas de transformação, de mudança organizativa, têm que ser debatidos pelo Congresso Nacional. O Congresso não pode estar interditado a fazer nenhum debate”, afirmou o dirigente petista.

Para Edinho Silva, mesmo que não haja consenso para levar o assunto à votação, o simples fato de promover o debate já representa um avanço institucional. Ele destacou que discutir não implica, necessariamente, alterar a legislação vigente.

“Não será pautada nenhuma votação, mas se abra o debate, se faça o debate. Isso fortalece a democracia. São duas coisas distintas”, reforçou.

Mais cedo, no entanto, o presidente da Câmara adotou um tom diferente ao tratar do assunto. Em participação virtual na conferência do banco BTG Pactual, realizada em São Paulo, Hugo Motta afirmou que não pretende pautar qualquer proposta que trate da revisão da autonomia do Banco Central.

“Enquanto estivermos aqui na presidência da Câmara, não pautaremos nenhuma revisão acerca da autonomia do Banco Central, porque entendemos que essa autonomia trouxe segurança, trouxe para o País previsibilidade e cada vez mais confiança nas instituições do País”, declarou o deputado.

A divergência expõe uma diferença de abordagem dentro do debate político e econômico. De um lado, o PT defende que o Congresso não deve se furtar a discutir temas considerados estruturantes. De outro, a presidência da Câmara sustenta que a autonomia do BC é um pilar de estabilidade e previsibilidade econômica, que não deve ser colocado em revisão neste momento.

O tema segue como pano de fundo das discussões políticas em Brasília, especialmente diante do impacto que qualquer mudança na estrutura do Banco Central pode ter sobre a economia e a confiança do mercado.