Votação do acordo Mercosul-UE fica para após o Carnaval no Parlasul
Pedido de vista adia análise do texto, que só deve ser apreciado em sessão marcada para 24 de fevereiro
COMÉRCIO EXTERIORA votação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia na comissão mista do Parlamento do Mercosul (Parlasul) que representa o Brasil foi adiada e só deverá ocorrer na semana seguinte ao Carnaval. A nova sessão está prevista para o dia 24 de fevereiro, às 10 horas, após pedido de vista apresentado durante a análise da matéria.
O acordo começou a ser discutido nesta terça-feira (10), depois que o relator, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), apresentou parecer favorável ao texto na segunda-feira. A sessão ainda estava em andamento quando o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) solicitou mais tempo para examinar a proposta.
O pedido de vista foi concedido com base no regimento interno da comissão, que permite prazo ampliado para análise. Com isso, a votação ficou automaticamente adiada para a próxima reunião, que só ocorrerá após o feriado de Carnaval, em razão da suspensão das atividades legislativas no período.
Ao justificar o pedido, Renildo Calheiros afirmou considerar o acordo relevante, mas questionou a velocidade com que o tema vem sendo tratado no âmbito do Parlamento. Segundo ele, ainda há pendências e debates em curso fora do Brasil que precisam ser levados em conta.
“Considero o acordo importante, mas não entendo a pressa. Na Europa, isso ainda está judicializado”, afirmou o parlamentar durante a sessão. Para ele, o debate não deve se restringir à comissão ou ao Congresso Nacional.
“Não devemos retirar de nós mesmos o tempo suficiente para debatermos o assunto, que não deve ficar só aqui, nem só no Congresso Nacional. Deve ser debatido na sociedade brasileira”, completou.
O acordo Mercosul-União Europeia é discutido há mais de duas décadas e envolve temas sensíveis como comércio, meio ambiente, regras sanitárias e acesso a mercados. No Brasil, o texto divide opiniões entre setores que veem oportunidades de ampliação das exportações e aqueles que alertam para riscos à indústria nacional e a segmentos do agronegócio.
A comissão do Parlasul tem papel relevante no debate político do acordo, embora a ratificação final dependa da aprovação do Congresso Nacional. O adiamento da votação indica que o tema seguirá em discussão por mais tempo, em meio a divergências e cobranças por maior aprofundamento do debate.