Marianna Gualter | 10 de fevereiro de 2026 - 14h05

Votação do acordo Mercosul-UE fica para após o Carnaval no Parlasul

Pedido de vista adia análise do texto, que só deve ser apreciado em sessão marcada para 24 de fevereiro

COMÉRCIO EXTERIOR
Comissão do Parlasul adia votação do acordo Mercosul-União Europeia após pedido de vista. - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A votação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia na comissão mista do Parlamento do Mercosul (Parlasul) que representa o Brasil foi adiada e só deverá ocorrer na semana seguinte ao Carnaval. A nova sessão está prevista para o dia 24 de fevereiro, às 10 horas, após pedido de vista apresentado durante a análise da matéria.

O acordo começou a ser discutido nesta terça-feira (10), depois que o relator, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), apresentou parecer favorável ao texto na segunda-feira. A sessão ainda estava em andamento quando o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) solicitou mais tempo para examinar a proposta.

O pedido de vista foi concedido com base no regimento interno da comissão, que permite prazo ampliado para análise. Com isso, a votação ficou automaticamente adiada para a próxima reunião, que só ocorrerá após o feriado de Carnaval, em razão da suspensão das atividades legislativas no período.

Ao justificar o pedido, Renildo Calheiros afirmou considerar o acordo relevante, mas questionou a velocidade com que o tema vem sendo tratado no âmbito do Parlamento. Segundo ele, ainda há pendências e debates em curso fora do Brasil que precisam ser levados em conta.

“Considero o acordo importante, mas não entendo a pressa. Na Europa, isso ainda está judicializado”, afirmou o parlamentar durante a sessão. Para ele, o debate não deve se restringir à comissão ou ao Congresso Nacional.

“Não devemos retirar de nós mesmos o tempo suficiente para debatermos o assunto, que não deve ficar só aqui, nem só no Congresso Nacional. Deve ser debatido na sociedade brasileira”, completou.

O acordo Mercosul-União Europeia é discutido há mais de duas décadas e envolve temas sensíveis como comércio, meio ambiente, regras sanitárias e acesso a mercados. No Brasil, o texto divide opiniões entre setores que veem oportunidades de ampliação das exportações e aqueles que alertam para riscos à indústria nacional e a segmentos do agronegócio.

A comissão do Parlasul tem papel relevante no debate político do acordo, embora a ratificação final dependa da aprovação do Congresso Nacional. O adiamento da votação indica que o tema seguirá em discussão por mais tempo, em meio a divergências e cobranças por maior aprofundamento do debate.