TJMS envia à ALEMS projeto que cria novos cargos para reforçar estrutura da Justiça
Proposta prevê ampliação do quadro para dar conta do aumento da demanda processual no Estado
PODER JUDICIÁRIOO Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul encaminhou à Assembleia Legislativa (ALEMS) o Projeto de Lei nº 5/2026, que propõe a criação de novos cargos em comissão para fortalecer a estrutura do Tribunal de Justiça e das comarcas do Estado. A iniciativa foi apresentada pelo presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, após aprovação unânime do Órgão Especial da Corte.
De acordo com o Tribunal, a proposta tem caráter estratégico e busca atender ao crescimento contínuo da demanda judicial em Mato Grosso do Sul. Somente em 2024, o Judiciário estadual registrou mais de 42 milhões de movimentações processuais, além de 469,8 mil processos julgados e 403,3 mil novos casos distribuídos ao longo do ano.
O cenário se manteve desafiador no início de 2025. Conforme dados apresentados no projeto, o TJMS iniciou o ano com cerca de 773 mil processos em tramitação. Para a administração do Judiciário, esse volume reforça a necessidade de ampliar o quadro de pessoal, com o objetivo de garantir mais agilidade, eficiência e qualidade no atendimento à população.
Cargos previstos no projeto
O Projeto de Lei 5/2026 prevê a criação de 302 novos cargos em comissão, distribuídos entre funções de assessoramento jurídico e administrativo. A proposta contempla 50 cargos de Assessor de Desembargador (PJAS-1); 150 cargos de Assessor Jurídico de Juiz (PJAS-6); 75 cargos de Assessor Jurídico de Juiz de Segunda Entrância (PJAS-8); 25 cargos de Assessor Jurídico de Juiz de Primeira Entrância (PJAS-9); e dois cargos de Assessor Jurídico-Administrativo (PJAS-1).
Segundo o TJMS, os profissionais atuarão diretamente no apoio à atividade judicante e na área administrativa, em conformidade com a Política Nacional de Atenção Prioritária ao Primeiro Grau, estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida busca fortalecer especialmente as unidades judiciais que lidam com maior volume de processos.
O Tribunal também esclareceu que o impacto financeiro da proposta foi calculado a partir de dois cenários distintos. O primeiro, considerado menos oneroso, prevê o preenchimento parcial dos cargos por servidores efetivos já integrantes do quadro. O segundo cenário, utilizado como estimativa máxima, considera a ocupação integral das vagas por servidores exclusivamente comissionados.
Outro ponto destacado é que o provimento dos cargos não ocorrerá de forma imediata. A proposta prevê que as nomeações sejam realizadas de maneira gradual, conforme a demanda das unidades judiciais e a disponibilidade orçamentária dos próximos exercícios financeiros.
A criação dos cargos integra um planejamento de longo prazo do Judiciário sul-mato-grossense e está vinculada ao Banco de Cargos e Empregos Públicos (BACEP). Segundo o TJMS, esse mecanismo garante que futuras nomeações ocorram de forma responsável, dentro dos limites fiscais e em conformidade com a legislação vigente.
Para o Tribunal de Justiça, a ampliação da estrutura de pessoal é considerada essencial para manter o bom funcionamento da Justiça estadual. A expectativa é que a medida contribua para a redução do tempo de tramitação dos processos, além de aprimorar os serviços prestados tanto no contencioso quanto nos meios consensuais de resolução de conflitos.
O Projeto de Lei 5/2026 agora será analisado pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que decidirão sobre a aprovação ou não da proposta.