Redação | 10 de fevereiro de 2026 - 12h25

Uso sem orientação de remédios para emagrecer preocupa médicos e já provoca casos graves

Dr. Jamal alerta para risco de pancreatite e mortes com o uso indiscriminado de medicamentos como Ozempic e Monjaro

RISCO
A médica Sádia Jamal Mohamed, especialista em tratamento da obesidade e o seu pai, o médico e vereador Jamal Salem - (Foto: Rafael Rodrigues)

O uso indevido de medicamentos para emagrecimento acendeu um alerta entre médicos e autoridades de saúde. Injeções como Ozempic e Monjaro, cada vez mais populares, têm sido usadas sem prescrição médica e acompanhamento adequado. O resultado é o aumento de casos graves, incluindo pancreatite e até mortes.

O alerta foi feito pelo médico Jamal Salem durante entrevista ao programa Giro Estadual de Notícias (10). Segundo ele, a obesidade é uma doença crônica, sem cura definitiva, que exige acompanhamento contínuo e mudanças de hábito. “A obesidade é uma doença crônica. Não tem cura. Vai depender da cabeça da pessoa aderir ao programa”, afirmou o médico.

De acordo com Jamal Salem, o problema começou quando esses medicamentos passaram a ser vistos como solução rápida para emagrecer. Muitas pessoas acreditam que basta aplicar a injeção para perder peso, sem mudar alimentação ou rotina. “Com o surgimento dessas injeções, o pessoal achou que está tudo resolvido. Toma a injeção e come de tudo. Mas ninguém vai tomar isso a vida inteira”, disse.

O próprio médico relatou ter enfrentado uma complicação após usar uma dessas injeções sem seguir corretamente a orientação médica. Ele contou que teve uma pancreatite leve e precisou ficar internado por quatro dias. “Eu usei uma dessas injeções em dezembro e não segui a orientação da minha filha. Acabei tendo pancreatite e fiquei internado. Graças a Deus foi leve, mas poderia ter sido grave”, relatou.

Segundo Jamal Salem, a situação já chega às unidades de saúde. Ele afirma que fez um levantamento informal em UPAs e recebeu relatos de que entre 10 e 15 pacientes por dia procuram atendimento com sintomas ligados ao uso desses medicamentos.

A médica Sádia Jamal Mohamed, especialista em tratamento da obesidade, também participou da entrevista. Ela reforçou que o uso indiscriminado dessas injeções é preocupante e pode causar diversos efeitos colaterais. “O uso sem orientação médica pode causar queda de cabelo, enfraquecimento das unhas, fadiga e outras complicações graves”, explicou.

Ela destacou que antes de iniciar qualquer tratamento é necessário fazer exames para avaliar a saúde do paciente e definir a dose correta. Segundo a médica, cada caso é diferente e não existe um protocolo único. “Tem pacientes que usam e não emagrecem. Às vezes o corpo está inflamado. Por isso, é preciso avaliação médica para definir o melhor tratamento”, disse.

Outro ponto de preocupação é a facilidade de acesso aos medicamentos. Muitos entram no Brasil de forma clandestina, principalmente pela fronteira com o Paraguai. Segundo os médicos, esses produtos são vendidos em locais informais, como salões de beleza e até por ambulantes. “A gente não sabe a procedência, como foi armazenado ou o que realmente tem ali. Às vezes o barato sai caro”, alertou Sádia Jamal Mohamed.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também emitiu alertas sobre o uso indevido desses medicamentos. Entre 2020 e o fim de 2025, foram registradas 145 notificações de eventos adversos no Brasil, incluindo seis casos com suspeita de óbito. Dados internacionais apontam milhares de notificações de pancreatite e dezenas de mortes.

Apesar disso, a Anvisa reforça que os benefícios dos medicamentos superam os riscos quando o uso é feito corretamente, com prescrição e acompanhamento médico.

Para os especialistas, emagrecer com saúde exige mais do que medicamentos. Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional são partes essenciais do processo. “Não adianta emagrecer rápido e perder músculo. Emagrecer é bom, mas tem que ser com saúde”, afirmou Sádia Jamal Mohamed.

Jamal Salem reforçou o alerta final. Segundo ele, uma pancreatite pode deixar sequelas para o resto da vida, como diabetes permanente. “Não vale colocar a vida em risco por economia. Emagreça com saúde, procure um médico e faça os exames”, concluiu.