Trump ameaça barrar inauguração de ponte entre EUA e Canadá e cobra compensação
Presidente diz que Washington deveria ser dono de parte do país vizinho e impõe condições para liberar obra
TENSÃO DIPLOMÁTICAO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (9) que pode impedir a inauguração de uma nova ponte entre os Estados Unidos e o Canadá. Segundo ele, a liberação da obra só ocorreria se Washington fosse “totalmente compensado” e passasse a ter participação direta no projeto.
A declaração foi feita em publicação na rede Truth Social. Trump afirmou que não permitirá a inauguração até que o Canadá trate os Estados Unidos “com justiça e respeito” e defendeu que o país americano seja proprietário de ao menos metade da estrutura.
Na mesma mensagem, o presidente disse que pretende iniciar negociações imediatas com o governo canadense sobre o tema. A fala ocorre em meio a um histórico recente de atritos diplomáticos e comerciais entre os dois países.
A ponte, que receberá o nome do ex-jogador canadense de hóquei no gelo Gordie Howe, vai ligar a cidade de Detroit, no estado de Michigan, a Windsor, na província de Ontário. A obra começou em 2018, cruza o Rio Detroit e teve custo estimado em US$ 4,7 bilhões. A inauguração está prevista para ainda este ano.
Segundo informações da entidade responsável pela construção, o projeto foi financiado integralmente pelo Canadá. A gestão da ponte será compartilhada entre os governos canadense e do estado de Michigan.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em 2015, o relacionamento entre Washington e Ottawa tem sido marcado por tensões, especialmente no campo comercial. Recentemente, os Estados Unidos ameaçaram impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses após o primeiro-ministro Mark Carney visitar a China e firmar um acordo comercial preliminar com Pequim.
Em outras ocasiões, Trump chegou a afirmar que o Canadá deveria se tornar o “51º estado dos Estados Unidos”, declaração que deixou de repetir nos últimos meses.
Do lado canadense, o primeiro-ministro Mark Carney fez críticas indiretas ao presidente norte-americano durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, no mês passado. Sem citar Trump nominalmente, Carney alertou para o que classificou como um possível colapso do sistema de governança global.