Redação | 10 de fevereiro de 2026 - 10h36

De Rio Verde para o Pantanal: por que a mudança de nome pode fortalecer o turismo

Prefeito defende que adoção do nome Rio Verde do Pantanal corrige referência histórica e amplia visibilidade do município

IDENTIDADE
Prefeito Reus Fornari durante entrevista no estúdio do Giro Estadual de Notícias - (Foto: Rafael Rodrigues)

A proposta de mudar o nome de Rio Verde de Mato Grosso para Rio Verde do Pantanal ganhou força como estratégia para fortalecer o turismo e consolidar a identidade do município. A defesa foi feita pelo prefeito Réus Fornari durante entrevista concedida nesta terça-feira (10), nos estúdios da Central de Jornalismo do Grupo Feitosa de Comunicação. O prefeito participou do programa Giro Estadual de Notícias, apresentado pelo radialista João Flores. A entrevista foi transmitida para todas as emissoras do grupo, com alcance em todo o Mato Grosso do Sul.

Segundo Réus Fornari, a mudança do nome não altera a história nem a identidade dos moradores. A proposta, segundo ele, busca corrigir uma referência geográfica que remonta à divisão do antigo estado de Mato Grosso, ocorrida em 1977, quando foi criado o estado de Mato Grosso do Sul por meio da Lei Complementar nº 31.

Na época, muitos municípios mantiveram a referência ao antigo estado por tradição. Com o passar dos anos, parte dessas cidades fez ajustes. Um dos exemplos citados é Coxim, que deixou de usar a expressão “de Mato Grosso” em sua denominação oficial.

Rio Verde seguiu com o nome original, mesmo estando há mais de quatro décadas em Mato Grosso do Sul. Para o prefeito, isso passou a gerar confusão, principalmente fora do estado e em contextos turísticos. “Não estamos mudando o nome da cidade. Estamos apenas corrigindo. Não pertencemos mais ao Mato Grosso. Hoje somos Pantanal”, afirmou Réus Fornari durante a entrevista.

O argumento central da proposta está ligado ao território do município. Cerca de 60% da área de Rio Verde está inserida no Pantanal sul-mato-grossense, bioma reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco desde o ano 2000. A região reúne rios cristalinos, serras, planície alagável e uma biodiversidade considerada única.

Para a prefeitura, essa característica justifica a adoção do termo Pantanal no nome oficial da cidade, como forma de correção geográfica e fortalecimento da identidade regional.

O prefeito destacou que o nome atual gera dúvidas entre turistas, inclusive estrangeiros, que muitas vezes associam Rio Verde a outras cidades com o mesmo nome. Segundo ele, a palavra Pantanal tem reconhecimento imediato e facilita a identificação do destino. “A pessoa ouve falar em Pantanal e quer conhecer o Pantanal. Com o nome Rio Verde do Pantanal, ela sabe exatamente onde está”, explicou.

O processo para a mudança do nome teve início em junho de 2025. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal em sessão realizada no dia 10 de junho do ano passado. Em seguida, passou a tramitar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Em agosto de 2025, foi realizada uma audiência pública para discutir o tema, sem custos para a população. Segundo o prefeito, o debate contou com ampla participação da comunidade e de entidades locais.

Em novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral discutiu a logística para a realização do plebiscito, que é o próximo passo do processo. A prefeitura afirma que há apoio popular, com assinaturas de associações, entidades e lideranças do município.

A proposta também está integrada a outros projetos em andamento no município. Entre eles estão a criação de um complexo cultural com réplicas das casas de Manoel de Barros e Almir Sater, a implantação de um museu arqueológico em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a construção de um museu do Pantanal com sala em 3D.

Há ainda projetos para a implantação de um camping modelo e a retomada de grandes eventos, como o Carnaval, que voltou ao calendário oficial da cidade após nove anos de interrupção (clique aqui e confira mais).

Para o prefeito, todas essas ações fazem parte de um mesmo objetivo. Reposicionar Rio Verde como porta de entrada do Pantanal sul-mato-grossense e fortalecer sua presença nos roteiros turísticos do Brasil e do exterior. “O nome Pantanal abre portas. Ele identifica, comunica e valoriza o que nós somos”, concluiu Réus Fornari.