Sindicato Rural e deputado cobram ações do Estado para enfrentar crise do leite em MS
Documento entregue ao governador propõe medidas fiscais, apoio ao produtor e estímulo à agroindustrialização
AGRONEGÓCIOO Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho, em parceria com o deputado estadual Renato Câmara (MDB), vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e presidente da Frente Parlamentar do Leite, intensificou o diálogo com o Governo do Estado em busca de soluções para a crise enfrentada pelo setor leiteiro sul-mato-grossense. As propostas foram formalizadas em um documento encaminhado ao governador Eduardo Riedel, que detalha o cenário crítico da atividade e apresenta alternativas para a retomada da sustentabilidade do setor.
De acordo com o Sindicato Rural, a situação do leite em Mato Grosso do Sul se agravou de forma significativa a partir do segundo semestre de 2025, principalmente devido à queda acentuada do preço do leite spot. O valor, que girava em torno de R$ 2,80, recuou para cerca de R$ 1,80, impactando diretamente a renda dos produtores.
A redução do preço ocorre em um contexto de custos elevados de produção. Despesas com insumos, energia elétrica, mão de obra, nutrição animal e logística seguem pressionando o orçamento das propriedades, especialmente das pequenas e médias, que operam com margens cada vez mais estreitas.
Na Assembleia Legislativa, Renato Câmara tem atuado como interlocutor entre os produtores rurais e o Executivo estadual. Segundo o parlamentar, é fundamental construir soluções tanto de curto quanto de médio prazo para evitar o enfraquecimento da cadeia produtiva.
“É preciso agir com rapidez e responsabilidade para evitar o abandono da atividade e preservar empregos, renda e a produção de alimentos no Estado”, tem defendido o deputado durante as articulações políticas.
Entre as principais propostas apresentadas ao governador Eduardo Riedel está a continuidade do Proleite, o Plano Estadual de Desenvolvimento da Bovinocultura Leiteira, com incentivo específico à produção de leite de qualidade no período da seca, quando os custos tendem a aumentar e a produtividade diminui.
O documento também sugere o fortalecimento da agroindustrialização do leite em Mato Grosso do Sul, com foco na agregação de valor à produção local e no estímulo à cadeia produtiva regional. Outra medida defendida é a inclusão do leite fluido produzido no Estado em programas institucionais, como os de alimentação escolar, creches, presídios e hospitais.
No campo tributário, as entidades propõem a revisão da política aplicada aos produtos lácteos oriundos de outros estados, buscando garantir isonomia competitiva ao produtor sul-mato-grossense. Também é sugerida a redução do ICMS interestadual sobre o leite spot e sobre produtos industrializados.
Outra proposta é vincular os incentivos concedidos às indústrias de laticínios à participação em programas estaduais de apoio ao produtor, como o Extra Leite. O documento defende ainda a ampliação da possibilidade de adesão de laticínios de fora do Estado e de seus fornecedores a essas iniciativas.
Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho, José Eduardo Duenhas Monreal, o momento exige articulação e diálogo permanente com o poder público. “Estamos abertos ao diálogo e prontos para contribuir tecnicamente na construção de soluções eficazes”, afirmou no documento encaminhado ao governo estadual.
A iniciativa conta ainda com a participação do vice-presidente do Sindicato Rural, Felipe Orro, além de integrantes da diretoria da entidade, como Rodolfo Vaz de Carvalho, Ronan Salgueiro, Carlos Henrique Oliveira, Pedro Junqueira e Wilson Igi. Também integra o grupo o presidente do Núcleo do Leite da Acrissul e da Associação do Girolando, Alessandro Coelho.
Para o setor, a expectativa é que as propostas avancem e resultem em medidas concretas capazes de estancar a crise e garantir a permanência dos produtores na atividade leiteira em Mato Grosso do Sul.