Iury de Oliveira | 10 de fevereiro de 2026 - 08h15

Mais autonomia e menos viagens a clínicas com diálise em casa em MS

Tratamento domiciliar para pacientes renais crônicos reduz deslocamentos, preserva trabalho e estudo e mantém acompanhamento pelo SUS em MS

SAÚDE PÚBLICA
Paciente realiza diálise peritoneal em casa em Mato Grosso do Sul, com acompanhamento do SUS, ganhando mais autonomia e menos tempo em deslocamentos. - (Foto: Patrícia Belarmino/FUNSAU/HRMS)

Pacientes com doença renal crônica em Mato Grosso do Sul passam a ter mais autonomia no tratamento e menos necessidade de viagens até clínicas especializadas. A Secretaria de Estado de Saúde (SES), em parceria com a Associação Beneficente dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul (ABREC-MS), está incentivando a ampliação da diálise peritoneal domiciliar, modalidade feita em casa e custeada pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A principal mudança está na rotina de quem depende da terapia renal substitutiva. Em vez de ir até uma clínica de hemodiálise três vezes por semana, por várias horas, o paciente pode realizar a diálise peritoneal no próprio domicílio, muitas vezes no período noturno. Isso reduz o impacto no trabalho, nos estudos e na vida familiar, além de diminuir o cansaço causado pelos constantes deslocamentos.

A superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, define a iniciativa como um avanço estratégico na linha de cuidado às pessoas com doença renal crônica em Mato Grosso do Sul. “Esse projeto da SES, em parceria com a ABREC-MS, tem como objetivo fomentar a diálise peritoneal em nosso Estado. É um tratamento que a pessoa realiza em casa, o que promove mais qualidade de vida. O paciente não precisa abandonar o emprego, nem se ausentar por várias horas ao longo da semana. Além disso, reduz a necessidade de transporte de pacientes do interior para centros maiores. Portanto, é uma iniciativa que traz benefícios tanto para as pessoas quanto para o sistema público de saúde”, afirma.

Segundo ela, esse movimento depende diretamente da construção conjunta entre poder público e entidades que atuam com pacientes renais. “Precisamos cada vez mais de parceiros que, de mãos dadas com o serviço público, nos ajudem a avançar na atenção à saúde da população”, destaca Angélica.

Mesmo sendo realizado em casa, o tratamento continua inserido na rede pública. A superintendente reforça que o paciente não perde o vínculo com a equipe de saúde. “Em vez de se deslocarem três vezes por semana para a hemodiálise, essas pessoas passam a fazer o tratamento no domicílio, muitas vezes no período noturno, sem deixar de ser acompanhadas pelos profissionais de saúde. Elas continuam assistidas e ganham mais autonomia para manter suas atividades diárias”, explica.

Na sexta-feira (6), a superintendente Angélica Congro participou de atualização sobre diálise peritoneal promovida pela ABREC-MS. (Foto: Divulgação ABREC-MS)

Além dos efeitos na rotina, a diálise peritoneal apresenta vantagens clínicas. De acordo com a SES, esse tipo de terapia está associado a menor ocorrência de anemia, condição frequente em pacientes em hemodiálise, e pode reduzir a necessidade de alguns medicamentos. Isso significa melhores desfechos para o paciente e mais sustentabilidade para o sistema público, já que há potencial redução de custos com remédios e transporte.

A iniciativa de incentivo à diálise peritoneal foi tema de uma atualização promovida pela ABREC-MS na sexta-feira (6), com participação da superintendente Angélica Congro. A proposta é disseminar o conhecimento sobre o método, qualificar profissionais e fortalecer a adesão à modalidade domiciliar nos serviços que atendem pelo SUS em Mato Grosso do Sul.

A SES enfatiza que a ampliação da diálise peritoneal integra a estratégia estadual de qualificação da assistência a pessoas com doença renal crônica. O foco é oferecer um cuidado contínuo, mais humanizado e alinhado à realidade dos pacientes sul-mato-grossenses, especialmente aqueles que vivem longe dos grandes centros e sofrem com os deslocamentos frequentes para tratamento.

Com o tratamento feito em casa, acompanhamento permanente da rede pública e apoio de entidades como a ABREC-MS, o Estado busca garantir que o paciente renal crônico tenha mais conforto, mais autonomia e condições de seguir com suas atividades diárias sem abrir mão da segurança e da eficácia do cuidado prestado pelo SUS.