Luís Eduardo Leal | 09 de fevereiro de 2026 - 20h15

Ibovespa sobe quase 2% e fecha acima de 186 mil pontos pela primeira vez

Alta foi puxada por bancos, Vale e Petrobras, com reforço do fluxo estrangeiro

ECONOMIA
Ibovespa renovou recorde histórico e fechou acima de 186 mil pontos nesta segunda-feira. - (Foto: B3/Divulgação)

O Ibovespa iniciou a semana em forte alta e alcançou, pela primeira vez no encerramento, a marca de 186 mil pontos, renovando o recorde histórico de fechamento. O principal índice da B3 avançou 1,80% nesta segunda-feira (9), aos 186.241,15 pontos, impulsionado pelo desempenho do setor financeiro e pela virada consistente das ações de Vale e Petrobras ao longo da tarde.

Foi a décima vez em 2026 que o índice renovou sua máxima histórica de fechamento, em uma sequência iniciada, com interrupções, em 14 de janeiro. O novo recorde superou a marca anterior registrada em 3 de fevereiro, quando o Ibovespa havia encerrado aos 185.674,43 pontos.

Durante o pregão, o índice oscilou entre 182.950,20 pontos, mínima registrada logo na abertura, e 186.460,08 pontos, máxima do dia, com avanço de 1,92%. O volume financeiro somou R$ 27,7 bilhões, ainda robusto, embora abaixo dos picos observados nas sessões mais intensas do rali deste ano, quando o giro superou R$ 30 bilhões.

No acumulado de fevereiro, o Ibovespa sobe 2,69%. No ano, a valorização já chega a 15,59%, refletindo a entrada contínua de capital estrangeiro e a melhora do ambiente para ativos de risco.

O setor financeiro liderou os ganhos do dia. Com exceção do BTG Pactual (Unit -0,12%), os principais bancos registraram altas expressivas. O Santander Brasil foi o destaque, com avanço de 5,98% nas units, encerrando na máxima do dia. Itaú subiu 3,34% na preferencial, Banco do Brasil ganhou 2,01% e o Bradesco avançou 1,40% na ON e 1,46% na PN.

Entre as blue chips, Vale teve alta de 1,96%, enquanto a Petrobras avançou 2,03% na ação ordinária e 1,83% na preferencial, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional.

Na ponta positiva do índice também figuraram Magazine Luiza (+7,55%), Cosan (+4,68%), WEG (+3,66%) e CSN (+3,58%). Já entre as maiores quedas estiveram Hapvida (-2,72%), Localiza (-1,97%), Cyrela (PN -1,29% e ON -1,09%) e Cury (-0,94%).

Para Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, o movimento reflete a busca global por mercados emergentes. “Ainda há demanda por emergentes, e com Vale e Petrobras em alta, puxando a fila, o Ibovespa vai junto. A realocação global de ativos ganhou força após o banco central chinês recomendar a redução da exposição a Treasuries, e o Brasil captura parte desse fluxo, especialmente nas blue chips”, avalia.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, destaca que o fluxo estrangeiro segue forte. “A entrada de capital externo beneficia principalmente as ações mais líquidas da B3, como Vale e Petrobras, que deram sustentação ao índice no período da tarde”, afirma.

O cenário externo também contribuiu. Os contratos futuros de petróleo em Londres e Nova York subiram mais de 1%, com o mercado voltando a precificar riscos geopolíticos diante das incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã e de sinais de possível aperto na oferta global.

No mercado de câmbio, o dólar recuou 0,62% e fechou a R$ 5,1882, após atingir mínima de R$ 5,17 durante o dia. O movimento acompanhou o enfraquecimento da moeda americana no exterior, com queda do índice DXY, influenciado por fatores como o cenário político no Japão e o adiamento da divulgação de dados econômicos relevantes nos Estados Unidos.

“O atraso na divulgação do payroll e do CPI, por conta de mais um fechamento parcial do governo americano, deve aumentar a volatilidade nos próximos dias”, avalia Matthew Ryan, head de estratégia da Ebury.

Em Nova York, os principais índices encerraram em alta: o Dow Jones avançou 0,04%, renovando recorde de fechamento, o S&P 500 subiu 0,47% e o Nasdaq ganhou 0,90%.