Edinho Silva pede menos polarização e mais diálogo às vésperas das eleições
Presidente do PT alerta para ódio político, defende regulação da IA e propõe agenda de desenvolvimento
BASTIDORES POLÍTICOSÀs vésperas das eleições de outubro, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu nesta segunda-feira (9) a redução da polarização política e a ampliação do diálogo no país. Em fala durante almoço com empresários promovido pelo Lide, ele avaliou que o atual ambiente de radicalização e empobrecimento social favorece o avanço da intolerância, da xenofobia e de discursos nacionalistas.
“Temos que ter maturidade para enfrentar e achar mais aquilo que gera convergência entre nós e diminuir a polarização política, porque ela é nociva e ela estimula o ódio e a intolerância”, afirmou o dirigente petista, ao comentar o clima político que antecede o pleito.
Edinho comparou o cenário político brasileiro a um estádio de futebol dividido entre torcidas rivais. Segundo ele, a lógica do confronto permanente inviabiliza o debate racional. “Essa polarização política impede a reflexão racional, e o Brasil continua como se nós tivéssemos um grande estádio de futebol com duas torcidas. Cada torcida vendo quem grita mais alto, para ver quem é mais ouvido e, onde todo mundo grita, ninguém conversa”, disse.
Durante o encontro, o presidente do PT voltou a defender a regulamentação do uso da inteligência artificial nas eleições. Para ele, o próximo pleito ocorrerá em um contexto marcado por instabilidade internacional e descrédito nas instituições democráticas.
“O que acontece no Brasil é reflexo desse desarranjo internacional que estamos vivenciando, muito dinamizado pelo fenômeno do século XXI, que é a internet, as redes sociais, a popularização da comunicação e da produção de conteúdo”, afirmou. “Esse é o ambiente que vamos enfrentar nas eleições de 2026, um ambiente de descrédito da democracia representativa”, completou.
Apesar das preocupações com o uso da tecnologia no processo eleitoral, Edinho ressaltou que a inteligência artificial também pode ser uma aliada do desenvolvimento econômico. Na avaliação dele, os impactos da IA sobre o sistema produtivo ainda estão no início.
“Nós não vimos ainda a ponta do iceberg da inteligência artificial, o impacto dela no parque produtivo mundial. Evidente que nós vamos aumentar a nossa capacidade de produção utilizando cada vez menos mão de obra no sistema produtivo”, declarou.
Projeto de país e prioridades - Edinho Silva também defendeu que o Brasil construa um projeto de país a partir de uma agenda estratégica de longo prazo, acima das disputas eleitorais. Entre os temas citados, destacou o aproveitamento das reservas de terras raras, a reorganização da indústria, o investimento em educação e o enfrentamento da violência.
“Nós deveríamos ter maturidade política para construir uma agenda para o Brasil. Uma agenda que enfrentasse, por exemplo, o debate das nossas reservas de terras raras. Vamos continuar sendo exportadores de metais raros ou vamos aproveitar que hoje, no conhecimento que se tem, somos a segunda reserva de metais raros do mundo?”, questionou.
O dirigente se posicionou favoravelmente a parcerias e ao uso de tecnologia para desenvolver esse setor estratégico. Na área de segurança pública, Edinho voltou a criticar políticas focadas apenas na letalidade policial e defendeu investimentos em inteligência e tecnologia para combater o crime organizado.
“Segurança pública tem que ser mais que letalidade policial, tem que se investir em tecnologia. Hoje nós temos tecnologia para oferecer segurança à população nos territórios, investir na carreira dos policiais, valorizá-los e melhorar nossa capacidade de enfrentamento ao crime organizado institucionalizado”, afirmou.
As declarações reforçam o discurso do PT de buscar uma postura mais moderada no debate público, ao mesmo tempo em que apontam temas estruturais que devem ganhar espaço no centro da disputa política nos próximos meses.