Geovanna Hora | 09 de fevereiro de 2026 - 14h05

António José Seguro vence eleição presidencial em Portugal com ampla vantagem

Candidato do Partido Socialista derrotou André Ventura no segundo turno e assume em março

ELEIÇÕES PORTUGAL
António José Seguro venceu o segundo turno e será o novo presidente da República de Portugal. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O candidato do Partido Socialista (PS), António José Seguro, venceu o segundo turno das eleições presidenciais de Portugal na noite deste domingo (8). Com 99,2% das urnas apuradas, Seguro obteve 66,82% dos votos, contra 33,18% do adversário André Ventura, representante do partido Chega, de extrema-direita, segundo dados do Ministério da Administração Interna.

A vitória confirma o favoritismo do socialista, que já havia liderado o primeiro turno do pleito, realizado em 18 de janeiro, quando alcançou 31,1% dos votos. Com o resultado, Seguro será empossado no próximo dia 9 de março, substituindo Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupa o cargo desde 2016.

Aos 63 anos, António José Seguro retorna ao centro da vida política portuguesa após um longo período afastado dos holofotes. Natural da vila de Penamacor, no interior do país, ele construiu uma trajetória marcada pela atuação parlamentar, cargos no Executivo e ligação histórica com o Partido Socialista.

Seguro é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e mestre em Ciência Política pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Atualmente, atua como professor convidado da UAL, onde leciona disciplinas ligadas à Teoria do Estado e ao Pensamento Político e Social.

A carreira política começou no início da década de 1990, quando foi eleito deputado da Assembleia da República entre 1991 e 1995. Próximo de António Guterres, então uma das principais lideranças do PS, integrou o governo como secretário de Estado da Juventude durante o período em que Guterres foi primeiro-ministro, entre 1995 e 2002.

No fim dos anos 1990, Seguro deixou o governo para assumir uma vaga no Parlamento Europeu. Em 2001, retornou à política nacional como secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, mantendo influência nos bastidores do poder.

Em 2011, foi eleito secretário-geral do Partido Socialista e reconduzido ao cargo em 2013. No entanto, sua liderança foi interrompida em 2014, quando perdeu as eleições primárias internas para António Costa, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro entre 2015 e 2024 e, atualmente, preside o Conselho Europeu. Após a derrota, Seguro se afastou da política ativa por cerca de dez anos.

O retorno ocorreu em 3 de junho de 2025, quando anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da República. Na ocasião, afirmou que Portugal precisava ir além da “estabilidade” e recuperar a “confiança” nas instituições. Durante a campanha, adotou um discurso moderado, defendendo uma “esquerda moderna” e se apresentando como uma alternativa de equilíbrio diante do crescimento da extrema-direita.

Apesar de eleito chefe de Estado, o papel do presidente da República em Portugal é distinto do modelo presidencialista. O presidente não governa o país no cotidiano, função atribuída ao primeiro-ministro e ao governo. Ainda assim, o cargo tem peso institucional relevante, com poderes para vetar leis aprovadas pelo Parlamento, dissolver a Assembleia e intervir em momentos de crise política.

A eleição de António José Seguro marca o retorno do PS à Presidência e consolida uma vitória expressiva sobre a extrema-direita, em um cenário político observado de perto por outros países europeus.