Arauco lança pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú em MS
Primeira shortline após novo marco ferroviário terá 45 km de trilhos, R$ 2,4 bi em investimentos e promete reduzir em até 94% as emissões de CO
LOGÍSTICA VERDEA Arauco deu, em Inocência (MS), o primeiro passo para tirar do papel a ferrovia do Projeto Sucuriú, que promete mudar a logística da celulose produzida no Estado. Nesta sexta-feira (6), a empresa lançou a pedra fundamental da linha férrea, considerada a primeira shortline do país após o novo marco regulatório do setor ferroviário.
O evento reuniu executivos da companhia e autoridades dos três níveis de governo. Estiveram presentes o prefeito de Inocência, Antonio Ângelo Garcia dos Santos, o Toninho da Cofap, o presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), Paulo Hartung, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo, a senadora Tereza Cristina, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o ministro dos Transportes, Renan Filho, além de representantes de empresas parceiras, como AFRY, Castilho, Comexport, Construcap, EPYA, GBMX, Randon, Rumo e Wabtec.
Nova ferrovia, novo modelo de logística - O projeto marca a adoção de um modelo de operação ferroviária alinhado ao novo arcabouço regulatório do setor. Para a Arauco, a shortline representa mais do que um investimento em infraestrutura. “Essa shortline representa um marco dentro do novo arcabouço regulatório ferroviário brasileiro. Um modelo moderno, que amplia a capacidade logística do país, fortalece a integração com as malhas nacionais e cria condições reais para novos investimentos privados em infraestrutura”, afirma Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.
Ele destaca que o impacto vai além da conexão física. “Quando falamos em conectar, falamos de algo maior do que infraestrutura. Falamos em levar o Brasil, o Mato Grosso do Sul e a cidade de Inocência ao mundo. De transformar um território produtivo em referência global, capaz de inserir a celulose brasileira de forma competitiva nos principais mercados internacionais”, completa o executivo.
Menos caminhões na estrada e corte nas emissões - Com a entrada em operação da ferrovia, a companhia projeta uma redução de até 94% nas emissões de CO associadas ao transporte e a retirada de aproximadamente 190 viagens diárias de caminhões das rodovias da região. A mudança de modal, do rodoviário para o ferroviário, é apresentada como uma das principais apostas do Projeto Sucuriú para tornar a cadeia de celulose mais segura e sustentável.
A ferrovia terá 45 quilômetros de extensão, além de 9 quilômetros de trilhos internos na área da fábrica. O traçado seguirá paralelo às rodovias MS-377 e MS-240 até a conexão com a Malha Norte, operada pela Rumo. A obra deve gerar cerca de mil postos de trabalho e tem previsão de conclusão até o fim de 2027, em alinhamento com o início das operações industriais da Arauco no município.
Investimento bilionário e solução de alta capacidade - O investimento estimado na nova linha férrea é de R$ 2,4 bilhões. O projeto prevê 26 locomotivas, 721 vagões e capacidade de transportar até 9.600 toneladas por composição, em um sistema desenhado para atender à demanda da fábrica e à estratégia de exportação da empresa.
“Hoje, ao lançarmos a Pedra Fundamental dessa linha férrea, mostramos que sonhos bem planejados saem do papel, e quando saem do papel, movem desenvolvimento, sustentabilidade e futuro”, afirma Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose Brasil.
Conexão com o corredor de exportação - Parceira no projeto, a Rumo será responsável pela conexão da shortline ao corredor ferroviário que leva a carga até o Porto de Santos (SP), principal saída da celulose brasileira para o mercado externo.
Para Pedro Palma, CEO da Rumo, a iniciativa reforça o papel de Mato Grosso do Sul na rota global de exportações. “A visão de longo prazo da Arauco e a confiança depositada na Rumo com esta conexão ao corredor ferroviário de exportação pelo Porto de Santos contribuem para alavancar a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da celulose. Desta forma, o país reforça seu protagonismo global neste mercado e o estado de Mato Grosso do Sul se consolida com o maior exportador, por meio de uma solução logística eficiente, segura e de baixo carbono”, avalia.
Regulação e segurança jurídica para o investidor - Do ponto de vista regulatório, o projeto é apontado como exemplo de como marcos legais claros podem destravar investimentos.
Guilherme Theo Sampaio, diretor da ANTT, resume essa visão. Segundo ele, “projetos bem estruturados e uma regulação bem feita trazem tudo o que o investidor, nacional ou estrangeiro, busca: estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. E isso significa integração multimodal, tornando o Brasil eficiente 'da porteira para dentro' e 'da porteira para fora'. Quem ganha com isso é o Brasil e os brasileiros”.
Visão do governo federal e do Estado - Para o ministro dos Transportes, Renan Filho, a ferrovia abre uma nova rota de desenvolvimento para a região e retoma a conexão de Mato Grosso do Sul com a malha ferroviária nacional.
“A ferrovia significa uma nova rota para o desenvolvimento. É a reintegração do Estado do Mato Grosso do Sul com a malha ferroviária nacional. Hoje é um dia marcante para o Estado, para o país e para a Arauco, e eu tenho muito felicidade de estar aqui”, afirmou.
O governador Eduardo Riedel destacou o ambiente de negócios como fator decisivo para a atração do investimento. “Este é um grande projeto, fruto de um Estado que possui um ambiente de negócios que atrai investimentos privados e que governa com uma visão clara de desenvolvimento e crescimento”, pontua.
Segundo ele, o governo estadual seguirá atuando em parceria com a empresa e com o município. “O Governo do Estado continuará sendo parceiro de Inocência e da Arauco para viabilizar essa infraestrutura que consolida o Mato Grosso do Sul como protagonista global no setor de florestas plantadas e transforma o imenso potencial da nossa região em oportunidades reais para a população.”
Parceria público-privada e impacto local - No plano municipal, a obra é vista como símbolo de cooperação entre poder público e iniciativa privada. O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo, reforçou o papel das parcerias para viabilizar o empreendimento.
“Quero destacar a importância das parcerias que tornaram este projeto possível. O diálogo com a Arauco, com o Governo do Estado, com o Governo Federal e com as demais instituições envolvidas foi fundamental para que este marco se tornasse realidade. Quando há cooperação, os projetos saem do papel. Em breve, veremos locomotivas e vagões cruzando este território, não apenas como símbolo de progresso, mas como parte de uma história que avança com muito trabalho e responsabilidade”, declarou.
Com a pedra fundamental lançada, a ferrovia do Projeto Sucuriú passa a ser um dos principais símbolos da aposta de Mato Grosso do Sul em uma logística de baixo carbono e na consolidação do Estado como polo de florestas plantadas e celulose voltado ao mercado global.