Associated Press | 08 de fevereiro de 2026 - 17h20

Irã amplia pena de Nobel da Paz após greve de fome e impõe exílio interno

Narges Mohammadi recebe mais de sete anos de prisão e restrições após nova condenação judicial

INTERNACIONAL
Vencedora do Nobel da Paz, Narges Mohammadi recebeu nova condenação judicial no Irã. - (Foto: Reprodução)

O Irã condenou a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi a mais de sete anos adicionais de prisão, além de sanções como exílio interno e proibição de viagem. A decisão foi confirmada neste domingo (8) por apoiadores da ativista, com base em informações do advogado dela, Mostafa Nili. A nova sentença ocorre após Mohammadi iniciar uma greve de fome, segundo aliados.

De acordo com o advogado, a Justiça iraniana impôs seis anos de prisão por “reunião e conluio”, um ano e meio por “propaganda” e uma proibição de viagem por dois anos. Além disso, foi determinada a transferência da ativista para dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, localizada a cerca de 740 quilômetros ao sudeste de Teerã. A sentença foi proferida no sábado por um Tribunal Revolucionário em Mashhad.

Até a publicação desta reportagem, o governo do Irã não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão.

Apoiadores afirmam que Narges Mohammadi está em greve de fome desde 2 de fevereiro. Ela foi presa em dezembro durante uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, advogado e defensor de direitos humanos que vivia em Mashhad. Registros em vídeo do evento mostram Mohammadi protestando e exigindo justiça para Alikordi e outros ativistas.

Antes dessa prisão, organizações de direitos humanos já alertavam para o risco de Mohammadi retornar ao cárcere. Em dezembro de 2024, ela havia recebido uma licença médica temporária, inicialmente prevista para durar três semanas, mas que acabou se estendendo por meses. Nesse período, a ativista manteve atuação pública, com protestos e entrevistas à imprensa internacional, inclusive em frente à prisão de Evin, em Teerã, onde já esteve detida.

Símbolo da luta por direitos humanos no Irã, Mohammadi, de 53 anos, já cumpria uma pena de 13 anos e nove meses por acusações relacionadas à segurança do Estado e à disseminação de propaganda contra o governo. Ela também se posicionou publicamente em apoio aos protestos iniciados em 2022 após a morte de Mahsa Amini, que deram visibilidade à resistência de mulheres iranianas contra a obrigatoriedade do uso do hijab.

Durante períodos anteriores de detenção, Mohammadi sofreu problemas graves de saúde, incluindo ataques cardíacos, que levaram a uma cirurgia de emergência em 2022. No fim de 2024, seu advogado informou que médicos identificaram uma lesão óssea com suspeita de câncer, posteriormente removida.

“Considerando suas doenças, espera-se que ela seja temporariamente libertada sob fiança para que possa receber tratamento”, escreveu Mostafa Nili em publicação nas redes sociais.

As novas condenações ocorrem em meio a um momento de tensão diplomática. O Irã tenta avançar em negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear para evitar um possível ataque militar, ameaçado pelo presidente norte-americano Donald Trump. No domingo, o principal diplomata iraniano afirmou que a força do país está em sua capacidade de “dizer não às grandes potências”, adotando um discurso rígido logo após negociações realizadas em Omã.