Gabriel de Sousa | 06 de fevereiro de 2026 - 21h30

Lula diz que vai 'decidir a relação' com Trump em visita aos EUA em março

Presidente afirma que pretende conversar olho no olho com líder americano e comenta Conselho da Paz para Gaza

INTERNACIONAL
Lula afirma que pretende definir a relação entre Brasil e Estados Unidos em encontro com Trump previsto para março. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que pretende definir os rumos da relação entre Brasil e Estados Unidos durante encontro previsto com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, no mês de março. A declaração foi dada em entrevista à TV Aratu, da Bahia, e indica uma tentativa de alinhamento direto entre os dois líderes em um momento de tensões e agendas distintas no cenário internacional.

“Eu disse ao Trump que está na hora da gente sentar, apertar a mão, olhar um no olho do outro e decidir a nossa relação”, afirmou Lula, ao comentar a expectativa para a visita à Casa Branca.

A viagem, segundo auxiliares do Palácio do Planalto, está em fase de confirmação e deve marcar o primeiro encontro presencial entre Lula e Trump desde o retorno do republicano à Presidência dos Estados Unidos. A agenda ainda não foi oficialmente divulgada.

Durante a entrevista, Lula também comentou a proposta apresentada por Trump para a criação de um Conselho da Paz voltado à Faixa de Gaza. O presidente brasileiro disse ser favorável à iniciativa, mas defendeu ajustes no formato sugerido pelos norte-americanos.

“Eu sou favorável ao Conselho da Faixa de Gaza e eu falei ao Trump: ‘por que não tem um palestino no Conselho?’”, declarou.

Como já havia sido revelado anteriormente, o governo brasileiro vê com ressalvas a proposta mais ampla defendida por Trump, que inclui a atuação do conselho em diferentes conflitos globais. A posição do Itamaraty é de que a iniciativa deveria se restringir ao conflito entre Israel e Palestina. Por enquanto, o Brasil não deve integrar o grupo, caso ele seja criado nos moldes apresentados pelos Estados Unidos.

Nos bastidores, diplomatas avaliam que a presença de representantes palestinos seria essencial para garantir legitimidade e efetividade a qualquer mecanismo internacional de mediação para a região.

Lula também aproveitou a entrevista para comentar, em tom descontraído, os atritos públicos entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Segundo o presidente, os embates têm relação direta com a disputa por recursos do Orçamento federal.

“Ele (Rui) briga com o Haddad porque o Haddad é o homem que cuida do dinheiro, ele tem o cofre na mão. O Rui cuida do PAC e das obras do governo. Então, o Rui está sempre querendo liberar mais dinheiro do Haddad para ele”, disse Lula.

Em seguida, o presidente ironizou o comportamento do chefe da Casa Civil. “Mas o Rui também é muito mão-de-vaca quando é para liberar dinheiro para os ministros”, completou.

As divergências entre Haddad e Rui Costa já vieram a público em outros momentos, como durante a chamada “crise do Pix”, no início de 2025, quando houve desencontro de informações e posições dentro do próprio governo.

Apesar disso, Lula minimizou os conflitos e indicou que considera as disputas parte natural da dinâmica administrativa.