Agência Brasil | 06 de fevereiro de 2026 - 18h15

PF investiga aplicação de R$ 400 milhões da previdência do Amapá no Banco Master

Operação apura possível gestão temerária após liquidação da instituição financeira pelo BC

PREVIDÊNCIA
Polícia Federal investiga aplicação de recursos da previdência do Amapá no Banco Master. - (Foto: PF/Divulgação)

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (5), quatro mandados de busca e apreensão em Macapá (AP) para investigar a aplicação de cerca de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP) no Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central no ano passado.

A ação faz parte da Operação Zona Cinzenta, que apura a atuação de gestores da Amapá Previdência (Amprev), autarquia responsável pela administração do sistema previdenciário estadual. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal e têm como objetivo reunir provas sobre a aprovação e a execução dos investimentos considerados de alto risco.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer por que a aplicação foi autorizada e executada, mesmo diante dos riscos envolvidos. Há suspeitas da prática de crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta por parte dos responsáveis pelas decisões financeiras da autarquia.

Atualmente, de acordo com dados divulgados pela própria Amprev, o sistema previdenciário do Estado do Amapá conta com cerca de 30 mil segurados ativos e aproximadamente 2.100 beneficiários civis e militares, entre aposentados e pensionistas, o que amplia a preocupação com a segurança dos recursos investidos.

Amprev diz que recursos estão protegidos
Em nota oficial, a Amapá Previdência afirmou que os recursos dos segurados estão protegidos e que obteve uma decisão favorável da Justiça em ação movida contra o Banco Master. O comunicado é assinado pelo presidente da autarquia, Jocildo Lemos.

Segundo a Amprev, a 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá autorizou que o Estado e a autarquia retenham os valores referentes a empréstimos consignados que deveriam ser repassados ao Banco Master.

“Esses recursos ficarão provisionados em conta específica no Banco do Brasil, sob fiscalização do Judiciário, até o julgamento final do processo”, informou a autarquia.

A decisão judicial também proibiu o Banco Master de adotar qualquer medida de cobrança contra servidores, aposentados e pensionistas que possuem empréstimos consignados vinculados à instituição financeira liquidada.

Ainda conforme a Amprev, os valores retidos não poderão ser utilizados. “Os recursos permanecerão depositados em instituição financeira idônea, com prestação de contas ao Judiciário a cada 90 dias”, afirmou o presidente.

A Polícia Federal segue com as investigações para apurar eventuais responsabilidades criminais e administrativas na aplicação dos recursos previdenciários.