Vanessa Araujo | 06 de fevereiro de 2026 - 15h55

Ramagem é interrogado por videoconferência pelo STF enquanto aguarda extradição

Ex-deputado nega crimes ligados ao 8 de Janeiro e faz críticas ao ministro Alexandre de Moraes

JUSTIÇA
Alexandre Ramagem foi interrogado pelo STF por videoconferência enquanto permanece nos Estados Unidos. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi interrogado por videoconferência pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (5), enquanto permanece foragido nos Estados Unidos. A oitiva ocorreu no âmbito de ação penal que apura supostos crimes relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, cometidos após sua diplomação e até o fim de seu mandato parlamentar.

Segundo os autos, Ramagem é investigado por dano qualificado com violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de patrimônio tombado, com prejuízo considerado relevante. O interrogatório durou cerca de 50 minutos e foi conduzido por uma juíza auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O ex-parlamentar participou acompanhado de seu advogado.

De acordo com informações divulgadas pela GloboNews, Ramagem negou ter cometido os crimes e, durante a audiência, fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo integral do depoimento não foi divulgado oficialmente.

Processo retomado após cassação - A apuração havia sido suspensa temporariamente depois que a Câmara dos Deputados barrou o andamento das investigações com base na imunidade parlamentar. O processo foi retomado após a cassação do mandato de Ramagem, ocorrida em 18 de dezembro.

Na mesma data, a Câmara também declarou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a decisão, Ramagem afirmou nas redes sociais que a cassação teria sido resultado de uma “canetada” e acusou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de atuar como “subordinado de um ministro ditador”, em referência a Moraes.

Condenação e fuga do País - Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022. Após a condenação, ele deixou o Brasil e fugiu para os Estados Unidos em setembro.

Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do ex-deputado. No mês seguinte, determinou o envio da documentação necessária ao Ministério da Justiça para formalizar o pedido de extradição. Uma semana depois, a pasta informou ao STF que havia solicitado ao Ministério das Relações Exteriores o encaminhamento do processo às autoridades norte-americanas.

No fim de janeiro, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública comunicou à Corte que o pedido de extradição foi entregue ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025. O caso segue em tramitação no STF, enquanto o Brasil aguarda a resposta das autoridades norte-americanas.