Assistentes de educação infantil cobram reajuste e denunciam assédio em audiência na Câmara
Categoria indica greve e pede reintegração de representante desligada após mobilização
EDUCAÇÃO INFANTILA Câmara Municipal de Campo Grande realizou, na manhã desta sexta-feira (6), a audiência pública “Valorização das Assistentes de Educação Infantil”, que reuniu profissionais da rede municipal, vereadores e representantes de órgãos de fiscalização. O encontro teve como foco a defasagem salarial, as condições de trabalho nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e denúncias de assédio e perseguição contra lideranças da categoria.
A audiência ocorreu no plenário da Casa de Leis e foi convocada pelo vereador Landmark Rios diante do indicativo de paralisação das assistentes na próxima segunda-feira (9). Atualmente, a Capital conta com 107 Emeis, cerca de 2,5 mil profissionais atuando como assistentes, aproximadamente 34 mil crianças matriculadas e uma fila de espera estimada em 5 mil alunos por vaga.
Ao justificar a convocação, Landmark destacou que a categoria aguarda reajuste salarial há três anos e enfrenta uma realidade de sobrecarga. “Grande parte dessas profissionais são mães que relatam passar por sobrecarga de trabalho e assédio, atuando em espaços sem estrutura adequada. Essas profissionais cuidam do bem mais precioso das pessoas, que são os filhos, e precisam de respeito”, afirmou.
Pedido por condições mínimas de trabalho - Representando as assistentes de educação infantil, Natali Pereira afirmou que a reivindicação é por condições mínimas para o funcionamento das unidades. “Não temos salário digno, muitas são mães solo e precisam complementar renda nos fins de semana. Estamos pedindo o mínimo, pois sem assistente a Emei não abre. Além disso, enfrentamos superlotação nas salas, o que compromete o trabalho e o desenvolvimento da criança”, disse.
Natali relatou ainda que foi desligada do quadro de profissionais do município nesta semana, após participar de mobilização da categoria, situação que gerou reação de vereadores e entidades presentes.
Falando como profissional da rede, Inês Cardoso Ramires cobrou respeito às trabalhadoras da educação infantil. “Queremos valorização da categoria e respeito às mulheres que cuidam dos filhos das pessoas. Tivemos uma colega desligada sem explicação e isso enfraquece toda a categoria. Precisamos de respostas da Secretaria Municipal de Educação e também do plano de saúde do IMPCG”, afirmou.
O vereador Professor Riverton afirmou que o concurso público é o caminho para garantir salários justos. “Participamos da criação do processo seletivo das assistentes. Hoje, apenas o concurso pode assegurar estabilidade e remuneração digna. Seguiremos na luta por avanços”, declarou.
Marquinhos Trad defendeu união da categoria e reação coletiva. “Está na hora de uma reação que envolva esta Casa e as profissionais. É preciso cobrar da gestão o que foi prometido”, disse. Já Maicon Nogueira colocou-se à disposição para enfrentar irregularidades. “Contem comigo para denunciar qualquer tipo de perseguição contra as assistentes”, afirmou.
Órgãos de fiscalização apontam gravidade - O superintendente regional do Trabalho e Emprego do Ministério Público do Trabalho, Alexandre Cantero, classificou como grave o cenário apresentado. “É estarrecedor que, em 2026, ainda estejamos discutindo condições básicas de trabalho para quem atua na educação infantil. Assédio contra essas profissionais não pode ser tolerado, e o regime de contratação também precisa ser debatido”, destacou.
A vereadora Luiza Ribeiro afirmou que irá formalizar pedido de reintegração de Natali Pereira. “Ela é representante da categoria e foi desligada após perseguição. Não aceitaremos um ato inconstitucional e ilegal. Defendemos reajuste salarial para R$ 2,5 mil e vale-alimentação de R$ 300. Não atender a esses pedidos é desvalorizar quem trabalha com a primeira infância”, declarou.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Vicente Lopes, elogiou a mobilização das profissionais. “A categoria exerce cidadania ativa ao reivindicar direitos. As denúncias são graves e podem ser encaminhadas à OAB, que está à disposição para acompanhar casos que ferem a dignidade humana”, afirmou.
Ao final da audiência, ficaram definidos o indicativo de greve para a próxima segunda-feira (9), a elaboração de uma proposta ao Executivo Municipal prevendo reajuste salarial de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, a concessão de vale-refeição de R$ 300 e o pedido de reintegração de Natali Pereira ao quadro de profissionais do município.