Naomi Matsui e Flávia Said | 06 de fevereiro de 2026 - 14h40

Haddad defende debate sobre renda básica e diz que modelo pode ser mais eficiente

Ministro afirma que multiplicidade de programas sociais exige reavaliação e volta a falar em redução da jornada de trabalho

ECONOMIA
Fernando Haddad participa de evento do PT e defende debate sobre renda básica e jornada de trabalho. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (6) que o Brasil precisa avaliar a adoção de uma política de renda básica, tema historicamente defendido pelo deputado Eduardo Suplicy (PT-SP). Segundo Haddad, o modelo se tornou atual diante do volume de programas sociais existentes e dos custos administrativos envolvidos na gestão dessas iniciativas.

A declaração foi feita em Salvador (BA), durante um evento em comemoração aos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT). Para o ministro, a discussão passa menos por ideologia e mais por eficiência do gasto público. “Temos realmente que avaliar se a renda básica não fica até mais barata do ponto de vista de organização do Estado. Porque dá muito trabalho você gerenciar cada programa”, afirmou.

Haddad destacou que o país mantém diversos mecanismos de transferência de renda, com regras distintas e estruturas próprias, o que amplia a complexidade administrativa. Nesse contexto, a renda básica aparece como alternativa a ser analisada, sem que isso signifique, neste momento, a substituição automática dos programas em vigor.

O ministro também afirmou que o debate não se restringe aos partidos de esquerda. Segundo ele, setores da direita têm passado a considerar a proposta diante de mudanças estruturais na economia. “Boa parte da direita está entendendo que esse caminho vai acabar tendo que ser trilhado por forças e circunstâncias que estão se tornando estruturais”, declarou.

Durante o discurso, Haddad voltou a defender a redução da jornada de trabalho, tema que o governo trata como prioridade para 2026. Ele lembrou que a carga horária no Brasil permanece praticamente inalterada há décadas, mesmo com ganhos de produtividade observados no mundo do trabalho.

“A jornada de trabalho no Brasil é a mesma há muito tempo, sendo que o aumento da produtividade permite repensar isso. A questão do tempo livre precisa entrar na agenda global”, afirmou. O ministro citou o avanço da automação e da inteligência artificial como fatores que tendem a recolocar o tema no centro das discussões.

Atualmente, projetos em tramitação na Câmara dos Deputados debatem o fim do modelo 6x1, sem redução salarial. Integrantes do governo admitem a possibilidade de envio de uma proposta própria ao Congresso Nacional sobre o tema.

Haddad argumentou que o avanço tecnológico não deve ser visto apenas como ameaça ao emprego. Para ele, a substituição de tarefas repetitivas pode abrir espaço para outras dimensões da vida social. “A tecnologia pode substituir o trabalho ruim e liberar energia criativa e tempo de lazer, para que as pessoas possam viver a vida”, disse.

O ministro também comentou os impactos da reforma tributária, destacando efeitos positivos para a região amazônica. Haddad elogiou a atuação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no combate ao desmatamento e afirmou que o tema ambiental foi preservado durante a formulação das novas regras tributárias.

“A reforma tributária preservou muito a questão da Amazônia. O trabalho da Marina tem recolocado o Brasil no cenário internacional como um país sério do ponto de vista ambiental”, afirmou.

Segundo Haddad, o enfrentamento do debate tributário deve marcar o futuro do PT. Ele citou discussões envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a ampliação da taxação sobre bilionários, bancos e empresas de apostas. “A tributação justa pode ser algo definitivo daqui para frente para o partido. Nós enfrentamos esse debate”, concluiu.