Vanessa Araujo | 06 de fevereiro de 2026 - 12h00

Em viagem, Eduardo Bolsonaro cobra aliados por silêncio sobre pré-candidatura de Flávio

Ex-deputado diz que candidatura do irmão já está posta há dois meses e afirma que, na direita, silêncio sobre agenda internacional não é neutralidade, mas "omissão deliberada"

POLÍTICA
Flávio Bolsonaro é pré-candidato à presidente da República - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Em viagem internacional para promover a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez um recado público aos aliados do campo bolsonarista e da direita que, segundo ele, não vêm se engajando na agenda externa dos dois.

Em publicação no X (antigo Twitter), Eduardo afirmou que ele e o irmão têm sido “recepcionados com respeito e honra por líderes das Américas e do Oriente Médio” e reforçou que a pré-candidatura de Flávio já está colocada há cerca de dois meses. De acordo com o ex-parlamentar, o objetivo da movimentação internacional é “tirar o Brasil do rumo da pobreza com Lula”.

Sem citar nomes, Eduardo Bolsonaro cobrou maior alinhamento público de figuras que se dizem parte do mesmo campo político. Ele disse não esperar que todos divulguem diariamente a agenda ou repliquem automaticamente conteúdos das viagens, mas deixou claro que, para ele, silêncio não é postura neutra.

“Integrar um movimento e permanecer em silêncio não é neutralidade. É omissão deliberada”, escreveu o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em tom de cobrança direta.

Eduardo afirmou que é necessário que “todos estejam na mesma página” em relação à estratégia adotada para 2026, especialmente diante da tentativa de construir uma alternativa de direita ao governo Lula (PT). Ele encerrou a postagem com um aviso em tom de alerta aos aliados: “Quem não ouve ‘cuidado’, escuta ‘coitado’”.

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro também voltou a defender publicamente a formação de uma frente unificada da direita em torno de um projeto nacional para as eleições presidenciais. O senador vem afirmando que a convergência pode acontecer ainda no primeiro turno, mas que, se isso não for possível, deverá se consolidar ao menos no segundo.

A ofensiva internacional, que tem passado por países nas Américas e no Oriente Médio, é usada pelo grupo como forma de projetar Flávio no cenário externo e reforçar sua imagem junto à base bolsonarista no Brasil. Ao mesmo tempo, a cobrança de Eduardo expõe a expectativa de maior engajamento de figuras da direita em torno do nome do irmão, em um momento em que o campo conservador ainda testa possibilidades e não fechou consenso sobre 2026.