MP dá 20 dias para maternidade regularizar escala na UTI neonatal
Inspeção aponta falta de fisioterapeutas em turnos e unidades da Maternidade Cândido Mariano
ALERTAA Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, tem prazo de 20 dias para apresentar um plano de adequação ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A medida tem como objetivo regularizar a escala de fisioterapeutas que atuam nas UTIs e nas unidades intermediárias neonatais.
A determinação é do MPMS, por meio da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública. O prazo começou a contar após a conclusão de vistorias realizadas na unidade.
As inspeções foram feitas em 2024 e 2025 pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Mato Grosso do Sul, o Crefito. Durante as visitas, o órgão identificou falta de profissionais em determinados turnos e setores da maternidade.
Segundo o Crefito, a quantidade de fisioterapeutas em algumas unidades não atende aos parâmetros técnicos definidos pelo Ministério da Saúde. Isso pode comprometer a assistência prestada a recém nascidos que precisam de cuidados intensivos.
O Ministério Público também realizou vistorias no local e confirmou parte das irregularidades apontadas pelo conselho profissional. De acordo com o relatório do MPMS, a maternidade possui estrutura física adequada, equipamentos disponíveis, insumos suficientes e equipes multiprofissionais em conformidade com as normas.
Apesar disso, o documento destaca que ainda existem falhas importantes na cobertura da equipe de fisioterapia, especialmente nas UTIs neonatais e unidades intermediárias.
A promotoria estabeleceu uma série de exigências que devem constar no plano de adequação apresentado pela maternidade. Entre elas está a presença de fisioterapeuta exclusivo nas UTIs neonatais no período da meia noite às 7h.
Também foi determinada a implantação de cobertura fisioterapêutica noturna, a reorganização da proporção de profissionais por número de leitos e a presença de fisioterapeutas exclusivos aos finais de semana nas unidades intermediárias.
Outra exigência é a designação de um profissional exclusivo para a Ucinca, a Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru.
Em resposta, a direção da Maternidade Cândido Mariano informou que enfrenta dificuldades para compor a equipe atual. Segundo a administração, a situação é reflexo da crise financeira vivida por hospitais filantrópicos.
A maternidade atribui o problema à defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde e ao aumento dos custos assistenciais, fatores que impactam diretamente a contratação e manutenção de profissionais.
O plano de adequação deverá detalhar como a unidade pretende cumprir as exigências dentro do prazo estabelecido pelo Ministério Público.