Malu Mões | 06 de fevereiro de 2026 - 08h30

Ivete abre carnaval de rua em SP com megabloco no Ibirapuera

Folia paulistana espera 16,5 milhões de pessoas com 20 megablocos, recorde de desfiles, reforço de segurança e patrocínio integral da Ambev

CARNAVAL NO BRASIL
Ivete Sangalo, Calvin Harris, Pabllo Vittar e Alceu Valença são algumas das atrações do carnaval de rua de São Paulo em 2026. Desfiles começam no sábado (7). - (Foto: Montagem/Divulgação)

O carnaval de rua de São Paulo começa oficialmente neste sábado, 7, com a estreia de Ivete Sangalo na folia paulistana. A baiana puxa o megabloco Quem Pede, Pede de Veveta na região do Parque do Ibirapuera, na zona sul, marcando a abertura de três fins de semana de festa na cidade.

A concentração está marcada para as 8h e o trio deve começar a andar às 9h, na Avenida Pedro Álvares Cabral, entre o Obelisco e o Monumento às Bandeiras. A Prefeitura trabalha com a expectativa de reunir cerca de 50 mil foliões só no cortejo de Ivete, o primeiro dos 20 megablocos previstos na programação.

É a primeira vez que a artista participa do carnaval de rua de São Paulo, e a aposta do poder público e dos organizadores é repetir as grandes multidões que ela costuma atrair em Salvador. A apresentação está prevista até as 13h.

A saída de Ivete não encerra a programação na região. Ainda na Avenida Pedro Álvares Cabral, o Forrozin, com Mariana Aydar, começa às 11h no Obelisco, fazendo o mesmo trajeto até o Monumento às Bandeiras, com término previsto para as 15h.

Às 14h, é a vez de Alceu Valença colocar o bloco Bicho Maluco Beleza na rua, também no entorno do Ibirapuera, com desfile programado até as 18h.

Outros megablocos agitam o pré-carnaval de sábado em diferentes pontos da cidade, como o Toca um Samba Aí, com Inimigos da HP, na Rua Henrique Schaumann, além do Bloco Casa Comigo e do Bloco do Abrava, com Tiago Abravanel e Wanessa Camargo, na região de Pinheiros e Faria Lima.

No domingo, 8, o destaque é a estreia do DJ escocês Calvin Harris nos blocos paulistanos, à frente do Bloco Skol, que desce a Rua da Consolação das 11h às 16h. Na sequência, o tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta entra no mesmo trajeto, das 15h às 18h, com participação de Péricles.

Também no fim de semana, o Quintal dos Prettos leva Emicida, Maria Rita e Erika Moura para o Ibirapuera, enquanto o bloco Modo Surto, com Luísa Sonza, anima Santo Amaro. O Monobloco completa a lista de megablocos de domingo no entorno do parque.

Recorde de público e blocos

A Prefeitura de São Paulo espera receber 16,5 milhões de pessoas nos três fins de semana de folia, somando pré, carnaval e pós. Estão programados 627 cortejos em diferentes bairros, um número recorde.

Os megablocos serão concentrados em vias largas e avenidas de grande circulação, como Pedro Álvares Cabral, Consolação, Faria Lima, Henrique Schaumann e Laguna, para tentar reduzir impactos no trânsito e facilitar a ação dos serviços públicos.

Segundo a administração municipal, 100% da estrutura do carnaval de rua será bancada pela Ambev, patrocinadora oficial. A empresa investiu cerca de R$ 30 milhões em gradis, tapumes, banheiros químicos, equipes de apoio e infraestrutura dos megablocos.

Para tentar repetir o desempenho do ano passado, quando, segundo a Polícia Militar, não houve registro de ocorrências graves nos megablocos, a Prefeitura e o governo estadual montaram um esquema especial de segurança.

Serão usados 23 drones com reconhecimento facial para monitorar os grandes desfiles, integrados às 482 câmeras do sistema Smart Sampa. Ao todo, mais de 40 mil câmeras espalhadas pela cidade devem auxiliar na vigilância durante o período de festa.

O efetivo mobilizado soma 58 mil profissionais: 42 mil policiais militares, 6 mil guardas civis metropolitanos e 10 mil seguranças privados contratados.

De acordo com o coronel Carlos Henrique Lucena Folha, coordenador operacional da PM, o objetivo é reduzir ainda mais os índices de criminalidade durante o carnaval. “No carnaval de 2025, tivemos redução de todos os indicadores criminais e o Centro de Operações não registrou nenhuma ocorrência grave. Temos a responsabilidade de bater mais um recorde neste ano”, afirmou.

Policiais civis e militares também vão atuar à paisana, estratégia adotada com destaque em 2025 para flagrar roubos e furtos de celulares. Agentes disfarçados com fantasias de personagens como Mario Bros, Chapolin, Power Ranger e até padre circularam pelos blocos no ano passado, o que, segundo a PM, ajudou a coibir crimes.

Neste ano, a Guarda Civil Metropolitana também terá equipes descaracterizadas, com foco na prevenção de violência de gênero e importunação sexual. Grupos especializados da PM, com mulheres na linha de frente, vão atuar no acolhimento de vítimas e prisão de agressores.

Calor, chuva e hidratação

O fim de semana de abertura deve ser marcado por calor e pancadas de chuva. Para sábado, a previsão é de máxima de 31°C e mínima de 19°C. A partir do fim da tarde, há possibilidade de tempestades com raios, rajadas de vento e acumulado de até 25 mm de chuva, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura.

No domingo, a temperatura cai um pouco, com máxima prevista de 26°C e mínima de 19°C, ainda com chance de chuva, mas com volume menor, em torno de 4 mm.

Para ajudar na hidratação dos foliões, a Sabesp promete distribuir gratuitamente 600 mil litros de água ao longo dos oito dias de blocos, volume 20% maior do que o disponibilizado em 2025.

Apesar do patrocínio privado da estrutura e do crescimento da festa, blocos menores criticam o modelo de financiamento. Eles apontam que apenas 100 dos 627 desfiles receberão verba pública da Prefeitura, limitada a R$ 25 mil por cortejo.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) respondeu às críticas na semana passada. Para ele, os organizadores também devem buscar patrocinadores. “Cada bloco precisa ter suas iniciativas de procurar o seu patrocínio. É isso que a cidade de São Paulo incentiva: que as pessoas tenham o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo... não é por aí. Então tem de ter sua parte de buscar o patrocínio”, afirmou em 30 de janeiro.

Com Ivete, Calvin Harris, Alceu Valença, Emicida, Luísa Sonza e outros nomes à frente dos megablocos, São Paulo se prepara para um carnaval de rua com cara de grande festival a céu aberto — e com desafio proporcional na segurança, na logística e na convivência entre gigantes da folia e blocos de bairro que tentam manter o protagonismo nas ruas da capital.