Rescisão de Oscar com o São Paulo trava por valores de luvas após decisão de parar de jogar
Meia decidiu não atuar mais por problema cardíaco, está fora da folha salarial, mas ainda negocia acordo financeiro com o clube
FUTEBOLA rescisão de contrato entre Oscar e o São Paulo está travada. Desde dezembro, o meia decidiu que não voltaria a jogar, após um diagnóstico cardíaco, e ficou fora dos planos do clube. Mesmo assim, ainda há pendências a serem resolvidas, principalmente em relação às luvas previstas no acordo.
A expectativa é por uma rescisão amigável, mas clube e jogador ainda discutem o valor que será pago e a forma desse pagamento. Quando acertou o retorno ao São Paulo, Oscar estava livre no mercado e firmou um contrato válido até o fim de 2027, com direito a R$ 1,5 milhão em luvas pela assinatura. Esse montante seria diluído ao longo do vínculo.
Como a rescisão está acontecendo cerca de dois anos antes do término do contrato, o São Paulo tenta usar o encurtamento do acordo como justificativa para reduzir o valor devido. Ainda não há prazo definido para um desfecho.
Apesar do impasse, Oscar já está fora da folha salarial e não atua pelo clube desde 2024. A decisão de interromper a carreira veio após um episódio de síncope vasovagal: ele chegou a desmaiar durante exames realizados no CT da Barra Funda e foi internado para monitorar alterações cardíacas.
Antes do problema cardíaco, o meia já vinha de um período longo sem jogar. Em julho, ele sofreu fraturas em três vértebras lombares e ficou afastado. Depois, retornou aos treinos com o grupo, mas foi novamente vetado. Na época, o São Paulo informou uma lesão muscular na panturrilha. Posteriormente, o diagnóstico de problemas cardíacos foi oficializado.
Embora a aposentadoria não tenha sido formalizada oficialmente, o cenário ficou praticamente definido quando o clube divulgou a numeração do elenco para a temporada. Marcos Antônio, que usava a camisa 20, herdou a 8 que era de Oscar, sinal claro de que o meia não faria mais parte dos planos dentro de campo.
Na segunda passagem pelo São Paulo, Oscar disputou 21 partidas, marcou dois gols e deu cinco assistências. Revelado na base tricolor, ele chegou a ser integrado ao elenco profissional em 2008, ainda com 16 anos, mas a relação entre as partes foi marcada por forte desgaste jurídico.
Na época, o jogador entrou na Justiça alegando que havia sido coagido a se emancipar para assinar contrato profissional com o clube. Após a liberação obtida na esfera trabalhista, Oscar fechou com o Internacional em 2010, onde se tornou peça importante do time a partir de 2011.
Em março de 2012, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo determinou a reativação do contrato do meia com o São Paulo, o que, na prática, impedia que ele atuasse pelo Internacional. A situação só foi revertida por uma liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
O litígio foi encerrado em maio de 2012, quando o Internacional pagou R$ 15 milhões ao São Paulo para encerrar a disputa. Pouco tempo depois, em junho, o clube gaúcho negociou Oscar com o Chelsea por 25 milhões de libras (cerca de R$ 79 milhões na época), então a maior venda da história do futebol brasileiro.
Agora, mais de uma década depois daquela disputa, São Paulo e Oscar voltam à mesa de negociação — desta vez para fechar um ciclo marcado por problemas físicos e por uma decisão difícil do jogador, que optou por deixar o futebol por questões de saúde.