João Pedro Bitencourt | 05 de fevereiro de 2026 - 21h30

Zema critica reajuste 'fura-teto' do Congresso, mas já elevou próprio salário em 300%

Governador de Minas chama projeto de "piada de mau gosto" nas redes, enquanto oposição lembra lei que triplicou vencimentos do Executivo estadual em 2023

POLÍTICA
Governador de Minas, Romeu Zema (Novo), critica projeto que cria gratificação e folgas extras para servidores do Congresso, enquanto é cobrado por lei que triplicou seu próprio salário em 2023. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, criticou o projeto de lei que concede reajuste considerado “fura-teto” e um dia de folga a cada três trabalhados aos servidores do Congresso Nacional. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (5), Zema atacou a proposta e associou o benefício ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O texto aprovado no Legislativo cria a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que pode chegar a 100% do salário do cargo efetivo ocupado pelo servidor. Na prática, altos funcionários da Câmara dos Deputados poderão receber cerca de R$ 77 mil mensais. O projeto também prevê um sistema de compensação em que o servidor tem direito a um dia de licença para cada três dias de trabalho.

No vídeo, Zema resumiu sua posição de forma contundente:
O Congresso decidiu trabalhar menos e ganhar o dobro. Parece piada de mau gosto, mas é o Brasil de Lula”, afirmou o governador, em tom de campanha, ao criticar o reajuste e o esquema de folgas.

Enquanto o chefe do Executivo mineiro tenta se colocar como voz crítica ao projeto em âmbito nacional, integrantes do governo federal têm buscado se afastar da autoria e da responsabilidade pela medida. A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disseram que não houve acordo prévio nem consulta por parte dos parlamentares sobre o texto.

Durante a tramitação e as votações no Congresso, porém, as lideranças governistas também não se mobilizaram para barrar a proposta. Nenhuma objeção formal foi apresentada pelo governo em plenário. Apenas o Partido Novo, sigla de Zema, orientou voto contrário ao projeto.

As críticas do governador ao reajuste dos servidores do Congresso ocorrem menos de dois anos depois de ele próprio sancionar uma lei que elevou em 300% o seu salário, o do vice-governador e o dos secretários estaduais em Minas Gerais.

A norma, aprovada pela Assembleia Legislativa e promulgada em maio de 2023, estabeleceu um regime de reajuste progressivo para esses cargos. Com a mudança, os vencimentos do primeiro escalão do Executivo mineiro passaram por forte correção ao longo do período previsto em lei.

Na ocasião, o governo de Minas justificou o aumento afirmando que os valores pagos até então eram incompatíveis com o nível de responsabilidade e a experiência exigidos para as funções. A medida foi alvo de críticas de opositores, que apontaram incoerência em relação ao discurso de austeridade e enxugamento da máquina pública.