Luís Eduardo Leal e Mateus Fagundes | 05 de fevereiro de 2026 - 21h00

Ibovespa volta ao azul após tombo, puxado por Itaú e fluxo estrangeiro

Índice sobe 0,23% depois de queda de 2% na véspera, com bancos em dia misto, Vale e Petrobras em baixa e estrangeiro ainda dando fôlego à Bolsa

ECONOMIA
Ibovespa sobe 0,23% nesta quinta-feira (5), aos 182.127 pontos, após queda de 2% na véspera, apoiado por Itaú e fluxo estrangeiro, apesar da pressão de Vale e Petrobras. - (Foto: B3/Divulgação)

Um dia depois de registrar sua maior correção desde 16 de dezembro, o Ibovespa voltou ao terreno positivo nesta quinta-feira (5), ainda que de forma tímida. O principal índice da B3 subiu 0,23%, fechando aos 182.127,25 pontos. Na véspera, o tombo havia sido de cerca de 2%.

Ao longo do pregão, o índice oscilou entre a mínima de 181.568,98 pontos e a máxima de 184.017,44 pontos, com abertura a 181.708,47 pontos. O giro financeiro somou R$ 34,3 bilhões. Na semana e no mês, o Ibovespa acumula alta de 0,42%, o que recoloca o ganho do ano em 13,03%.

O avanço desta quinta veio apesar do desempenho misto dos grandes bancos, com uma exceção relevante: Itaú. As ações PN do banco fecharam em alta de 2,02%, impulsionadas pelo balanço do quarto trimestre divulgado na noite de quarta-feira, que agradou ao mercado. Perto do encerramento, Bradesco também reagiu, com alta de 0,66% nas ações ON e de 0,81% nas PN.

Na outra ponta, a principal ação do índice, Vale ON, recuou 3,33% no dia, pressionada pela queda de quase 2% do minério de ferro na China, mas ainda acumula ganho de 20,14% em 2026. Petrobras também pesou no índice: a ON caiu 1,43% e a PN, 1,39%, em um dia de recuo de quase 3% nos contratos futuros de petróleo em Londres e Nova York. Mesmo assim, os papéis da estatal ainda avançam na casa de 20% no ano.

O setor de siderurgia e mineração sentiu o movimento das commodities. As ações da CSN (ON) caíram 3,23% e fecharam na mínima do dia, após reportagem da Bloomberg apontar que a companhia negocia um empréstimo de US$ 1,5 bilhão para quitar dívidas vencidas e reduzir a alavancagem, com garantias em ações de subsidiárias. Na esteira da notícia, CSN Mineração virou para o negativo e encerrou em queda de 1,98%.

Entre as maiores altas do Ibovespa, os destaques foram MRV (+6,85%), Vamos (+6,28%) e Cury (+3,71%). Do lado das maiores quedas apareceram Braskem (-4,56%), Porto Seguro (-3,73%), Hapvida (-3,29%) e a própria Vale.

Na avaliação de João Paulo Fonseca, head de renda variável da HCI Advisors, a temporada de balanços começou a influenciar mais fortemente o comportamento do índice. Ele observa que os números do Itaú, referentes ao último trimestre de 2025, vieram novamente robustos e em linha com as expectativas, o que ajudou a sustentar o setor financeiro e o próprio Ibovespa no pregão.

Em uma leitura mais ampla, Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, aponta que o desempenho recente da Bolsa tem sido impulsionado principalmente pelo forte ingresso de capital estrangeiro, sobretudo via investimentos passivos, como ETFs e índices de referência. Segundo ele, isso gerou um movimento de compras disseminadas, muitas vezes “independentemente dos fundamentos individuais” de cada empresa.

Ferreira avalia que esse fluxo estrangeiro de perfil passivo resultou em uma alta “pouco seletiva” do mercado, com valorização relativamente alinhada da maior parte dos componentes do Ibovespa. Ele destaca ainda que até empresas com fundamentos mais frágeis no curto prazo acabaram se beneficiando dessa entrada de recursos, movimento que pode levar a correções mais fortes se o cenário mudar.