Lula diz que campanha vai buscar eleitores com flexibilidade ideológica em meio à polarização
Presidente afirma que só entra oficialmente na disputa no segundo semestre e relativiza peso das pesquisas
CENÁRIO ELEITORALO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que sua estratégia eleitoral será direcionada a eleitores que ainda mantêm flexibilidade ideológica. Em entrevista ao UOL News, Lula reconheceu o ambiente de forte polarização política no país, mas disse que há espaço para dialogar com uma parcela da população que não se identifica de forma rígida com os extremos.
“O que nós precisamos é achar, nesses 215 milhões de habitantes, as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica, que não acreditam em mentiras e que resolvam votar do lado certo”, afirmou o presidente.
Lula descreveu o atual cenário político como marcado por posições cristalizadas. Segundo ele, há uma divisão clara entre grupos que já definiram seus lados. “Quem não gosta de mim não gosta de mim, e quem não gosta deles não gosta deles”, disse.
Ao ser questionado novamente sobre a polarização, o presidente relativizou o fenômeno e afirmou que esse tipo de divisão não é exclusividade do Brasil. Ele citou exemplos de outros países para sustentar que disputas políticas intensas fazem parte da dinâmica democrática.
“Sempre foi dividido. Você era jovem quando o Brasil foi dividido entre Arena e MDB. A Alemanha é dividida entre CDU e SPD. A Espanha é dividida entre dois partidos. Os EUA são divididos entre Republicanos e Democratas. Todo país é assim”, declarou.
Apesar do discurso sobre polarização, Lula afirmou que o Brasil vive um momento de estabilidade. Para sustentar essa avaliação, citou indicadores econômicos e sociais do atual governo.
“O Brasil está pacificado. Um país que tem o maior aumento do salário mínimo, o maior aumento da massa salarial, a menor inflação contida em quatro anos, a bolsa crescendo continuamente, um país com a maior concentração de população economicamente ativa”, afirmou.
O presidente também comentou o cenário eleitoral e disse que seus adversários já estão em campanha, enquanto ele pretende entrar oficialmente na disputa apenas no segundo semestre. Até lá, afirmou que seguirá focado nas atribuições do cargo e na entrega de obras e programas prometidos.
“Até junho sou presidente da República e tenho de entregar tudo que prometi a esse povo. Quando passar o mês de junho, vou entrar na campanha. Por enquanto, estou presidente da República. Jamais farei o jogo rasteiro dos meus adversários”, disse.
Durante a entrevista, Lula ironizou a grande quantidade de pesquisas eleitorais divulgadas recentemente e questionou a metodologia de alguns levantamentos. Segundo ele, muitas vezes não é possível saber quais perguntas foram feitas aos entrevistados.
“Agora, temos uma guerra de pesquisa no Brasil. Todo mundo faz pesquisa. Você não sabe a pergunta que foi feita”, afirmou.
Apesar das críticas, o presidente reconheceu a importância das pesquisas como instrumento para medir a opinião pública e afirmou que sua equipe pretende contratar levantamentos próprios no momento adequado da campanha.
“No momento certo, vamos ter pesquisa, vamos contratar, fazer as perguntas adequadas e começar a trabalhar”, concluiu.