Lula diz estar confiante na reeleição e compara disputa eleitoral a rivalidade de futebol
Presidente afirma que polarização política se intensificou a partir de 2014 e defende democracia como fator decisivo
POLÍTICAO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou estar confiante na própria reeleição e avaliou que o atual cenário político brasileiro é marcado por uma polarização intensa, semelhante à rivalidade entre grandes clubes de futebol. A declaração foi feita em entrevista ao UOL News, nesta quinta-feira (5), na qual o petista também atribuiu o início da radicalização política ao processo eleitoral de 2014.
Ao comentar as perspectivas para a disputa presidencial, Lula disse acreditar em nova vitória nas urnas, associando o resultado à defesa do regime democrático. “Nós vamos ganhar as eleições outra vez. E nós vamos ganhar, não é porque eu sou bom, mas porque o Brasil precisa de democracia”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a acirrada divisão do eleitorado não é um fenômeno recente nem exclusivo do Brasil. Ele relembrou disputas eleitorais anteriores para sustentar o argumento de que eleições presidenciais costumam ser equilibradas. “Toda eleição no mundo está acirrada. Aliás, eu nunca tive eleição que não fosse acirrada. Quando eu ganhei do Serra, eu tive quase 49% e ele quarenta e pouco por cento. Quando eu ganhei do Alckmin, ele teve quarenta e eu tive quarenta e pouco”, disse. Segundo Lula, esse equilíbrio histórico faz com que as disputas sejam decididas, em geral, no segundo turno.
Ao comparar o atual ambiente político com rivalidades esportivas, o presidente afirmou que a polarização se tornou mais rígida, com eleitores pouco dispostos a mudar de posição. “Qual é a diferença que nós temos hoje? Sabe, o jogo está como se fosse uma torcida Vasco e Flamengo, ou Corinthians e Palmeiras. Ninguém muda de lado”, declarou.
Lula também citou diretamente a eleição de 2014 como um marco na intensificação dos conflitos políticos. Naquele pleito, a então presidente Dilma Rousseff (PT) venceu o candidato do PSDB, Aécio Neves, em uma disputa apertada. Segundo Lula, o comportamento do tucano após o resultado contribuiu para o aumento da radicalização no país.
“A radicalização das eleições começou na disputa do Aécio Neves”, afirmou o presidente. Ele acusou o ex-candidato de adotar uma postura agressiva durante a campanha. “O Aécio Neves foi o maior agressor que eu já vi contra uma mulher numa campanha política que era a de 2014”, disse, referindo-se à forma como Dilma Rousseff foi tratada durante o processo eleitoral.
Lula também mencionou a contestação judicial feita após a derrota de Aécio, quando o PSDB entrou com pedido para questionar o resultado das eleições. “Você vê que ele inclusive criou a radicalização entrando com um processo para que a Dilma não tomasse posse. A partir dali, começou a radicalização na política brasileira”, completou.
A fala do presidente ocorre em um momento de debates sobre o clima político e o nível de polarização no país, tema recorrente nas discussões eleitorais recentes. Ao reforçar a confiança na reeleição, Lula sinaliza que pretende sustentar sua campanha no discurso de defesa da democracia e na crítica ao acirramento político que, segundo ele, se consolidou na última década.