CPI do INSS convoca filho de empresário e deputado do Maranhão para depor na segunda
Comissão apura descontos irregulares em aposentadorias e não descarta condução coercitiva
FRAUDE NO INSSA CPI do INSS ouvirá, na próxima segunda-feira (9), Paulo Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, e o deputado estadual do Maranhão Edson Araújo (PSB). Ambos são investigados no âmbito das apurações sobre descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Paulo Camisotti é titular de uma empresa que recebeu recursos de uma das associações suspeitas de integrar o esquema. Segundo informações reunidas pela comissão parlamentar de inquérito, Maurício Camisotti, pai de Paulo, é apontado como um dos principais articuladores da fraude envolvendo cobranças indevidas sobre benefícios previdenciários.
Já Edson Araújo é alvo de investigação da Polícia Federal e teve seu nome relacionado ao caso por ter presidido uma entidade de pescadores responsável por realizar descontos associativos em aposentadorias. O parlamentar já foi acusado publicamente pelo vice-presidente da CPI, deputado Duarte Júnior (PSB-MA), de ter se beneficiado do esquema.
Após a acusação feita durante os trabalhos da comissão, Edson Araújo enviou mensagens com tom de ameaça a Duarte Júnior por meio do WhatsApp. Em uma das mensagens, chamou a denúncia de “palhaçada” e afirmou que o colega parlamentar “quer aparecer”. Em seguida, disse: “Você vai ter que provar tudo que falou ou vai se arrepender”. Questionado por Duarte sobre o teor da ameaça, respondeu apenas: “Você vai saber”.
O episódio levou a CPI, em novembro do ano passado, a aprovar a convocação formal de Edson Araújo, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. As medidas tiveram como objetivo aprofundar as investigações sobre a possível participação do deputado no esquema de descontos irregulares.
De acordo com o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a presença dos convocados é obrigatória. Ele afirmou que, caso Paulo Camisotti ou Edson Araújo não compareçam à oitiva, a comissão poderá solicitar a condução coercitiva para garantir os depoimentos.
A sessão marcada para segunda-feira será a segunda reunião da CPI neste ano. Na primeira, realizada nesta quinta-feira (5), prestou depoimento o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que foi ouvido sobre os mecanismos de controle do instituto e as falhas que permitiram a ocorrência dos descontos não autorizados.
A CPI investiga um esquema que teria afetado milhares de aposentados em todo o país, com prejuízos ainda em apuração. Os trabalhos buscam identificar os responsáveis, esclarecer o fluxo de recursos e apontar eventuais falhas na fiscalização do sistema previdenciário.