Iury de Oliveira e Rafael Rodrigues e Douglas Vieira | 05 de fevereiro de 2026 - 12h45

Governo Lula prepara projeto para acabar com escala 6x1 no Brasil

Boulos chama jornada de seis dias de trabalho e um de descanso de 'desumana' e anuncia proposta em encontro com trabalhadores do comércio em Campo Grande

ESCALA 6X1
Ministro Guilherme Boulos participa do Governo na Rua, no CEU das Artes, em Campo Grande, e anuncia projeto do governo Lula para acabar com a escala 6x1 no Brasil. - (Foto: Douglas Vieira)

Em visita a Campo Grande para o programa Governo na Rua – Feira da Cidadania, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o governo Lula prepara um projeto de lei para pôr fim à escala 6x1 no país, reduzindo a jornada para, no máximo, cinco dias de trabalho e dois de descanso semanais. A declaração foi feita durante entrevista no CEU das Artes, no Parque do Lageado, onde ele também se reuniu com trabalhadores do comércio.

“Nosso próximo passo agora é a luta pelo fim da escala 6 por 1”, disse o ministro. “Os trabalhadores e as trabalhadoras do comércio, dos serviços, do varejo, é onde mais tem a escala 6x1, que é seis dias trabalhando e só um para descansar. Você ficar com a família, cuidar da casa, cuidar dos filhos, às vezes ter um curso de profissionalização, o lazer, não dá. Isso é desumano.”

Segundo Boulos, a proposta será encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional ainda neste ano. “O governo Lula vai mandar o projeto para a gente acabar com a 6x1, no máximo cinco dias de trabalho e no mínimo dois dias de descanso para todo o povo trabalhador do Brasil. Essa é a nossa pauta agora da Presidência”, afirmou.

Ao lado do ministro, a deputada federal Camila Jara destacou que a agenda em Campo Grande, com o Movimento Brasil na Rua, busca justamente aproximar o governo federal da população mais vulnerável e fortalecer a base social para mudanças como a redução da jornada. “É importante fazer esse mutirão e colocar a serviço da população vários acessos a programas sociais”, afirmou.

Deputada federal Camila Jara acompanha o Governo na Rua em Campo Grande e destaca a importância dos mutirões para ampliar o acesso da população a programas sociais e direitos. (Foto: Douglas Vieira)

Ela ressaltou que um dos principais gargalos hoje é a integração de cadastros e o desconhecimento de direitos por parte de quem mais precisa. “Quando a gente fala sobre esse acesso, principalmente para a população mais vulnerável, faz esse mutirão com acesso a vários serviços, vários programas, a gente faz com que a população saiba dos diversos acessos, dos diversos direitos. Esses mutirões são fundamentais para que a gente consiga articular todos os programas e garantir que a população possa ter esse acesso”, disse a parlamentar.

Camila lembrou que Mato Grosso do Sul vem recebendo fortes investimentos do governo federal, o que, segundo ela, pesou na escolha de Campo Grande como uma das primeiras capitais a receber o Movimento Brasil na Rua. “Proporcionalmente, Mato Grosso do Sul foi o estado que mais recebeu programas do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, e outras políticas do governo federal, como creches e institutos técnicos federais. A gente é o estado que mais tem instituto técnico federal também. Então, quando a gente escolhe Mato Grosso do Sul e quando a gente escolhe Campo Grande, é estratégico para que a gente consiga ver a efetivação dessas políticas públicas”, afirmou.

Sobre a atuação da bancada federal, a deputada disse que a prioridade é somar esforços para aprovar pautas consideradas urgentes, entre elas a redução da jornada de trabalho. “A bancada do Mato Grosso do Sul é uma das poucas que se une nesses investimentos. A gente entende que a prioridade agora é conseguir somar esforços para encontrar consensos nas pautas que são de grande interesse do Brasil, para que a gente consiga avançar nessa maioria e na redução da jornada, que é uma demanda que o Brasil pede nas urnas”, avaliou.

Camila também citou outras frentes em andamento, como ações de combate ao feminicídio, investimentos em cultura, qualificação profissional de mulheres pelo programa Elas Habitam e apoio à agricultura familiar no interior do Estado, mas reforçou que o debate sobre a jornada entra na lista das pautas centrais neste ano legislativo.