Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana | 05 de fevereiro de 2026 - 13h40

Lula diz que investigação sobre Banco Master será técnica e sem interferência política

Presidente relata reunião fora da agenda com banqueiro Daniel Vorcaro e afirma que caso foi tratado com Banco Central, Fazenda e PGR

POLÍTICA E ECONOMIA
Presidente Lula comentou sobre reunião com o presidente do Banco Master e defendeu apuração técnica do caso. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira (5) que deixou claro ao presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, que não haveria qualquer tipo de interferência política em investigações envolvendo a instituição financeira. Segundo Lula, eventuais apurações seriam conduzidas exclusivamente sob critérios técnicos pelo Banco Central. As declarações foram dadas durante entrevista ao UOL News.

De acordo com o presidente, o encontro com Vorcaro ocorreu em dezembro de 2024, fora da agenda oficial, e foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Lula relatou que, ao aceitar a conversa, decidiu chamar outras autoridades para acompanhar a reunião, entre elas o então indicado à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Lula afirmou que recebeu o banqueiro com naturalidade e destacou que reuniões com representantes do sistema financeiro fazem parte da rotina do cargo. Segundo ele, bancos privados de grande porte também já foram recebidos durante o atual mandato. “Eu já recebi, neste mandato meu, o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual. Todos os bancos eu já recebi”, disse o presidente na entrevista.

Durante a conversa, Vorcaro teria relatado ao presidente que se sentia alvo de perseguição. Lula explicou que não houve pedido formal de audiência e que o encontro ocorreu após solicitação feita por Mantega, quando o empresário esteve em Brasília. “Quando o Guido veio com o Vorcaro a Brasília e pediu se eu podia atender, ele veio conversar comigo”, afirmou.

Ainda segundo o presidente, o banqueiro alegou que havia interesses externos atuando para derrubá-lo. Lula relatou que ouviu as queixas, mas deixou claro que o governo não adotaria posicionamento político em relação ao caso. “O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá é uma investigação técnica, feita pelo Banco Central. Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação”, afirmou.

Após a reunião, Lula disse que decidiu ampliar o debate sobre o assunto dentro do governo. Ele relatou que convocou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central e representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) para discutir o tema de forma institucional.

O objetivo, segundo o presidente, foi ouvir as avaliações técnicas sobre o Banco Master e permitir que os órgãos competentes atuassem dentro de suas atribuições legais. “Para que o Haddad contasse o que ele pensava do Banco Master, para que o Galípolo contasse a relação com o Banco Master e que a Procuradoria tentasse ajudar”, explicou.

Lula afirmou que o país estaria diante de uma oportunidade inédita de responsabilizar envolvidos em crimes financeiros de grande escala, caso as suspeitas se confirmassem. O presidente ressaltou que não haveria proteção a nenhum setor específico. “Não me importa que envolva político, não importa que envolva partido, não me importa que envolva banco”, declarou.

Na avaliação do presidente, eventuais irregularidades poderiam representar um impacto econômico expressivo para o país. “Quem estiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar talvez o maior rombo econômico da história deste País”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio ao debate público sobre a atuação de instituições financeiras e o papel dos órgãos de controle na fiscalização do sistema bancário nacional. Lula reforçou que cabe ao Banco Central e aos demais órgãos competentes conduzirem as apurações, sem influência do Palácio do Planalto.