Iury de Oliveira | 05 de fevereiro de 2026 - 08h07

Dentista gratuito pelo SUS em MS; saiba onde buscar atendimento odontológico

Rede pública em Mato Grosso do Sul oferece de consulta básica a tratamento especializado em odontologia, integrada ao Brasil Sorridente

SAÚDE BUCAL
Atendimento odontológico gratuito pelo SUS em unidade básica de saúde de Mato Grosso do Sul integra a rede de saúde bucal organizada pelo Estado. - (Foto: Divulgação SES)

Dor de dente, sangramento na gengiva, necessidade de prótese ou uma ferida na boca que não cicatriza são problemas que afetam a alimentação, a fala, a autoestima e até as chances de conseguir um emprego. O que muita gente ainda não sabe é que, em Mato Grosso do Sul, o SUS (Sistema Único de Saúde) garante atendimento odontológico gratuito, organizado em uma rede que começa na unidade básica e pode chegar a serviços especializados e até hospitalares, com apoio da política nacional Brasil Sorridente.

Em todo o Estado, essa rede de saúde bucal é organizada e fortalecida pela coordenadoria de Saúde Bucal da SES (Secretaria de Estado de Saúde). O trabalho é contínuo e em parceria com os municípios, para ampliar o acesso e qualificar o atendimento oferecido à população.

A porta de entrada para o dentista pelo SUS é a APS (Atenção Primária à Saúde). É nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e nas UOMs (Unidades Odontológicas Móveis) que o cidadão consegue agendar consultas e receber o primeiro atendimento.

Nesses serviços, é possível fazer procedimentos como restaurações, extrações, limpeza, orientações de higiene bucal e acompanhamento regular. É também ali que o dentista avalia se há necessidade de um cuidado mais complexo.

Quando o caso exige tratamentos específicos – como canal (endodontia), cirurgias orais, atendimento a pessoas com necessidades especiais ou confecção de próteses dentárias –, o paciente é encaminhado para os CEOs (Centros de Especialidades Odontológicas) ou para outros Serviços de Especialidades em Saúde Bucal. Em algumas situações, o cuidado chega à rede hospitalar, em ambiente controlado e com apoio de equipe multiprofissional.

Apoio técnico e financeiro do Estado - Por trás dessa estrutura existe um trabalho técnico permanente. A coordenadoria de Saúde Bucal da SES apoia os municípios desde a adesão e implantação das estratégias da rede, ajudando a organizar fluxos de atendimento e a integração com os demais serviços de saúde.

Esse apoio inclui orientação sobre:
– como organizar a agenda e o fluxo dos usuários;
– como estruturar os serviços e integrar atenção básica, especializada e hospitalar;
– como registrar corretamente os atendimentos nos sistemas oficiais.

O Estado também faz o cofinanciamento das equipes de saúde bucal e dos CEOs, com repasses fundo a fundo para os municípios. Esses recursos ajudam a melhorar a estrutura física, comprar insumos e garantir o funcionamento dos serviços.

“O nosso papel, enquanto Estado, é garantir que os municípios tenham suporte técnico e financeiro para ofertar um atendimento cada vez mais resolutivo. Trabalhamos para organizar a rede, qualificar os profissionais e assegurar que o cidadão encontre no SUS um cuidado integral, que vai da prevenção ao tratamento especializado”, destaca o coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura de Oliveira.

O acompanhamento do serviço é contínuo. São monitorados indicadores de produção, a qualidade dos registros nos sistemas oficiais e o desempenho das equipes. A partir desses dados, o Estado consegue identificar gargalos, apoiar ajustes e incentivar boas práticas.

A coordenadoria estadual também produz notas técnicas, manuais e diretrizes assistenciais, orientando desde a carga horária dos profissionais até o cadastro correto das unidades no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde).

Esse trabalho técnico ajuda a padronizar processos, dar mais segurança às equipes e garantir que o cidadão, em qualquer município, encontre um serviço minimamente organizado e alinhado às normas do SUS.

Mato Grosso do Sul vem investindo em estratégias específicas para qualificar a saúde bucal. Uma delas é a organização da odontologia hospitalar e o apoio técnico a municípios que já oferecem ou pretendem implantar atendimento odontológico com sedação, voltado a casos que exigem ambiente especializado.

Outro destaque é o serviço de Tele-Estomatologia, voltado principalmente ao diagnóstico precoce de lesões suspeitas de câncer bucal. Por meio dessa ferramenta, profissionais da ponta conseguem o apoio de especialistas, sem que o paciente precise, inicialmente, se deslocar para grandes centros.

“A Tele-Estomatologia é uma ferramenta estratégica, porque encurta distâncias e contribui para o diagnóstico precoce do câncer bucal, que faz toda a diferença no prognóstico do paciente. Nosso objetivo é que nenhum caso suspeito deixe de ser avaliado por falta de acesso ao especialista”, reforça Lucas.

A atuação da SES inclui ainda apoio às ações de saúde bucal no sistema prisional, com orientações técnicas, insumos e organização do cuidado para essa população, que costuma ter maior dificuldade de acesso ao dentista.

Atendimento realizado em UOM (Unidade Odontológica Móvel) no município de Ribas do Rio Pardo

Dados para planejar e prevenir - Todos os anos, o Estado realiza o levantamento epidemiológico conhecido como CPOD (Cariado, Perdido e Obturado em Dentes Permanentes). Esse estudo mede a condição de saúde bucal da população e serve como base para o planejamento das ações.

A partir desses dados, são definidos, por exemplo, o foco das campanhas educativas, o envio de kits de higiene bucal e a priorização de grupos e regiões que precisam de maior atenção. Os kits são destinados às estratégias de promoção e prevenção desenvolvidas junto aos municípios, especialmente em escolas e ações comunitárias.

A equipe estadual também realiza viagens técnicas, visitando municípios para dialogar diretamente com prefeitos, secretários municipais de saúde e coordenadores de saúde bucal. Nessas visitas, são discutidos desafios locais, possíveis soluções e formas de tornar a rede mais eficiente, de acordo com a realidade de cada cidade.

O resultado é uma relação baseada em cooperação técnica e financeira, monitoramento, educação permanente e inovação – sempre com foco na ampliação do acesso e na melhoria da qualidade do cuidado oferecido à população.

Como o cidadão pode acessar o dentista gratuito - Para quem precisa de atendimento odontológico pelo SUS em Mato Grosso do Sul, o caminho começa sempre na atenção primária. O passo a passo é simples:

  1. Procurar a UBS mais próxima
    Leve documento de identificação, Cartão do SUS e comprovante de residência. Na própria unidade, é possível perguntar sobre os dias e horários de atendimento da equipe de saúde bucal.

  2. Agendar consulta com a equipe de saúde bucal
    O primeiro atendimento é feito na unidade básica, onde o dentista avalia o caso, realiza procedimentos iniciais e orienta sobre cuidados diários de higiene e prevenção.

  3. Receber encaminhamento, se for necessário
    Quando o caso exige tratamento especializado – como canal, prótese ou cirurgias –, o paciente é encaminhado para CEOs ou outros serviços da rede.

Em caso de dúvidas, a orientação é procurar a Secretaria Municipal de Saúde para saber quais serviços estão disponíveis na região e como funciona o fluxo local de atendimento. Cada município organiza sua rede, mas sempre dentro das diretrizes do SUS e em diálogo com o Estado.

Brasil Sorridente integra e fortalece a rede - A organização da saúde bucal no SUS em todo o país segue as diretrizes do Brasil Sorridente, política criada em 2004 que integra a Política Nacional de Saúde Bucal. O objetivo é ampliar o acesso, reduzir desigualdades e garantir que o atendimento vá da prevenção a tratamentos mais complexos.

O Brasil Sorridente está presente em todos os níveis de atenção à saúde – da atenção básica à média e alta complexidade – e dialoga com diferentes políticas do Ministério da Saúde, como o Programa Saúde na Escola, as ações voltadas às pessoas com deficiência, a saúde do trabalhador, a vigilância ambiental e a fluoretação das águas de abastecimento público.

Entre as principais metas estão: ampliar a cobertura de saúde bucal no SUS, reduzir índices de cárie e outras doenças, oferecer tratamento especializado – como endodontia (canal) e próteses dentárias – e consolidar a saúde bucal como parte essencial da atenção primária e especializada.

Na prática, isso se traduz no fortalecimento das Equipes de Saúde Bucal, na expansão dos Centros de Especialidades Odontológicas e na atuação dos Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias em todo o país.

Saúde bucal é saúde integral - A saúde da boca vai muito além da estética. Está diretamente relacionada à prevenção de infecções, ao diagnóstico precoce de doenças como o câncer de boca e à qualidade de vida em todas as idades.

Entender como funciona a rede e saber por onde começar é o primeiro passo. No SUS, esse caminho nasce na unidade básica de saúde e pode seguir, quando necessário, para serviços especializados e hospitalares. Em Mato Grosso do Sul, o fortalecimento dessa rede mostra que o acesso ao dentista gratuito é um direito, não um privilégio – e pode transformar não só o sorriso, mas a saúde como um todo.