Maria Edite Vendas | 05 de fevereiro de 2026 - 07h00

SUS garante atendimento odontológico gratuito e especializado em Mato Grosso do Sul

Rede de saúde bucal começa na unidade básica, avança para especialidades e recebe apoio direto do Estado

SAÚDE PÚBLICA
Estratégia estadual organiza fluxo que vai da atenção primária à odontologia hospitalar, integrada à política nacional Brasil Sorridente - (Foto: Divulgação SES)

Dor de dente, sangramento na gengiva, lesões na boca ou a falta de dentes não são problemas que podem ser adiados. Essas condições afetam diretamente a alimentação, a fala, a autoestima e até as oportunidades de trabalho. O que ainda é desconhecido por parte da população é que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma rede estruturada e gratuita de atendimento odontológico, que vai desde os cuidados básicos até procedimentos especializados e hospitalares.

Em Mato Grosso do Sul, essa rede é organizada com apoio direto da Coordenadoria de Saúde Bucal da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que atua de forma contínua junto aos municípios para ampliar o acesso e qualificar os serviços oferecidos à população.

O primeiro atendimento odontológico acontece na Atenção Primária à Saúde (APS), por meio das Equipes de Saúde Bucal que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). É nesses locais que o cidadão pode agendar consultas, realizar restaurações, extrações, limpeza, receber orientações preventivas e acompanhamento regular.

Atendimento realizado em UOM (Unidade Odontológica Móvel) no município de Ribas do Rio Pardo.

Quando o caso exige procedimentos mais complexos, o próprio SUS faz o encaminhamento. Tratamentos de canal, cirurgias orais, confecção de próteses dentárias e atendimento a pessoas com necessidades especiais são realizados nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) ou em outros Serviços de Especialidades em Saúde Bucal. Em situações específicas, o cuidado pode envolver a rede hospitalar.

Por trás dessa estrutura existe um trabalho técnico permanente coordenado pela SES. A Coordenadoria de Saúde Bucal atua desde a implantação das estratégias da rede até a orientação sobre fluxos de atendimento, organização dos serviços e integração com outros pontos da rede de atenção à saúde.

O Estado também realiza o cofinanciamento das Equipes de Saúde Bucal e dos CEOs, com repasses fundo a fundo que contribuem para a melhoria da estrutura física, aquisição de insumos e fortalecimento do atendimento nos municípios.

“O nosso papel, enquanto Estado, é garantir que os municípios tenham suporte técnico e financeiro para ofertar um atendimento cada vez mais resolutivo. Trabalhamos para organizar a rede, qualificar os profissionais e assegurar que o cidadão encontre no SUS um cuidado integral, da prevenção ao tratamento especializado”, afirma o coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura de Oliveira.

O acompanhamento da rede é contínuo. O Estado monitora indicadores de produção, a qualidade dos registros nos sistemas oficiais e o desempenho das equipes. Também elabora notas técnicas, manuais e diretrizes assistenciais que orientam desde a carga horária dos profissionais até o cadastro correto das unidades no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Entre as estratégias específicas adotadas em Mato Grosso do Sul estão a organização da odontologia hospitalar e o apoio técnico para municípios que ofertam ou desejam implantar atendimento odontológico com sedação.

Outro avanço é o serviço de Tele-Estomatologia, que auxilia no diagnóstico precoce de lesões suspeitas de câncer bucal. A ferramenta permite que profissionais da atenção básica tenham apoio de especialistas à distância, reduzindo o tempo de espera e ampliando o acesso ao diagnóstico.

“A Tele-Estomatologia encurta distâncias e contribui para o diagnóstico precoce do câncer bucal, o que faz toda a diferença no prognóstico. O objetivo é que nenhum caso suspeito deixe de ser avaliado por falta de acesso ao especialista”, destaca Lucas.

A atuação estadual também inclui apoio às ações de saúde bucal no sistema prisional, com orientações técnicas, organização do cuidado e fornecimento de insumos.

Anualmente, é realizado o levantamento epidemiológico conhecido como CPOD (Cariado, Perdido e Obturado em Dentes Permanentes), que serve de base para o planejamento das ações e para a distribuição de kits de higiene bucal utilizados em estratégias de promoção e prevenção.

Viagens técnicas aos municípios fazem parte da rotina da Coordenadoria, promovendo diálogo direto com prefeitos, secretários municipais de saúde e coordenadores de saúde bucal, permitindo ajustes nas estratégias conforme a realidade local.

O acesso é simples e começa no município:

Em caso de dúvidas, a orientação é procurar a Secretaria Municipal de Saúde para verificar a disponibilidade dos serviços na região.

A organização da saúde bucal no SUS em todo o país ocorre por meio da política Brasil Sorridente, criada em 2004 e integrada à Política Nacional de Saúde Bucal. O programa estabelece diretrizes para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e garantir atendimento em todos os níveis de atenção.

O Brasil Sorridente articula ações da atenção básica à alta complexidade e dialoga com políticas como o Programa Saúde na Escola, saúde da pessoa com deficiência, saúde do trabalhador, vigilância ambiental e fluoretação da água.

Entre os objetivos estão a ampliação da cobertura de saúde bucal, a redução de cáries e outras doenças, a oferta de tratamentos especializados e a consolidação da saúde bucal como parte essencial do cuidado integral.

Mais do que estética, a saúde bucal está ligada à prevenção de infecções, ao diagnóstico precoce de doenças graves e à qualidade de vida. Conhecer a rede e saber por onde começar é o primeiro passo. No SUS, esse caminho começa na unidade básica e pode impactar positivamente a saúde como um todo.