União Brasil troca comando em Minas e abre caminho para filiação de Rodrigo Pacheco
Deputado Rodrigo de Castro assume o partido no Estado em movimento que pode viabilizar candidatura ao governo
POLÍTICAO deputado federal Rodrigo de Castro assumirá o comando do União Brasil em Minas Gerais, em uma mudança interna que abre espaço para a filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à legenda. Nos bastidores, aliados do senador tratam a troca de partido como praticamente definida e afirmam que a articulação teve o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A mudança foi comunicada pelo presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, a integrantes do partido no Estado. A informação foi divulgada inicialmente pelo site O Fator e confirmada pelo Estadão. Rodrigo de Castro substitui o deputado federal Marcelo Freitas (União-MG), que tinha perfil mais alinhado a pautas bolsonaristas.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, Pacheco já havia decidido deixar o PSD e aguardava uma sinalização concreta de uma nova sigla, com União Brasil e MDB como principais opções. Com a troca no comando estadual, o União passou a ser visto como o destino mais provável.
Rodrigo Pacheco é o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo de Minas Gerais em 2026 e liderar o palanque do petista no Estado. Apesar disso, o senador vinha resistindo publicamente à ideia de concorrer. Nos bastidores do PT mineiro, a avaliação é de que, sem Pacheco, faltam nomes competitivos para uma aliança estadual com Lula. Uma alternativa considerada é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
A mudança no comando do União Brasil foi interpretada na política mineira como um sinal de que Pacheco pode rever a decisão de não disputar o governo. Aliados do senador, no entanto, adotam cautela e afirmam que a definição eleitoral só poderia avançar após a garantia de uma estrutura partidária viável, condição que agora estaria atendida.
Além da filiação, Pacheco atua para emplacar o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, na presidência da federação União Brasil-PP em Minas Gerais. Damião é aliado próximo do senador e foi indicado por ele para a chapa que venceu a eleição municipal de 2024 na capital.
Se a articulação avançar, o movimento tende a dificultar os planos do vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao governo e nome apoiado pelo governador Romeu Zema (Novo). Simões contava com o apoio da federação União Brasil-PP, mas o PP mineiro é comandado pelo secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, o que pode gerar disputa interna.
A expectativa entre aliados é que, confirmada a filiação de Pacheco, um grupo de prefeitos próximos ao senador também migre para o União Brasil. Pacheco manteve influência na legenda ao longo dos últimos anos, já que até 2021 era o principal nome do DEM em Minas, partido que se fundiu com o PSL para formar o União.
Um dos exemplos dessa influência foi a articulação para que Álvaro Damião integrasse, como vice, a chapa do então prefeito Fuad Noman na eleição municipal de Belo Horizonte em 2024. Damião assumiu a prefeitura após a morte de Noman, no ano passado.