Antonio Perez | 04 de fevereiro de 2026 - 20h15

Dólar fecha estável após reação ao exterior e ignora ruídos fiscais internos

Moeda oscilou ao longo do dia e encerrou a R$ 5,24, mesmo com queda forte da bolsa e alta de gastos públicos

ECONOMIA
Dólar encerrou o dia estável, influenciado pelo mercado externo e fluxo estrangeiro. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após operar em queda firme durante a manhã, o dólar ganhou força ao longo da tarde e passou a oscilar entre estabilidade e leve alta, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. Ao final da sessão desta quarta-feira (4), o dólar à vista fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,2495, com leve variação negativa de 0,01%.

Durante o pregão, a moeda americana registrou mínima de R$ 5,2166 e máxima de R$ 5,2651. Nos três primeiros pregões de fevereiro, o dólar acumula alta de 0,04%, após ter recuado 4,40% em janeiro, maior queda mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%.

Operadores avaliam que o real teve desempenho considerado resiliente, mesmo diante da queda superior a 2% da bolsa brasileira e do aumento das preocupações com o cenário fiscal, após a aprovação de medidas no Congresso que ampliam os gastos públicos.

Entre as propostas aprovadas estão reajustes na remuneração de servidores e a criação de novos cargos públicos, com impacto estimado em R$ 5,3 bilhões. O Senado também deu aval ao programa Gás do Povo, que prevê atendimento a cerca de 17 milhões de famílias em todo o país.

Para o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, o comportamento do câmbio segue fortemente influenciado pelo cenário externo. Segundo ele, o patamar atual do dólar ainda é baixo se considerado o tamanho do desafio fiscal brasileiro, especialmente diante das iniciativas recentes que elevam as despesas do governo.

Na avaliação do gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o real permanece relativamente protegido de ruídos políticos e fiscais por conta da taxa Selic elevada, que favorece o carry trade e desestimula posições compradas em dólar, além do apetite de investidores estrangeiros por ativos de países emergentes.

Galhardo observa que a indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central teve pouco impacto sobre o câmbio, apesar de provocar estresse nos juros futuros. Segundo reportagem da Reuters, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria inclinado a apoiar as indicações feitas pelo ministro Fernando Haddad, que incluem também o economista Tiago Cavalcanti.

“O fluxo estrangeiro continua forte para bolsa e renda fixa. Há uma janela favorável que tende a se manter ao menos até o ambiente eleitoral começar a ganhar peso a partir de abril”, afirma Galhardo.

No período da tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial foi positivo em US$ 5,086 bilhões em janeiro, revertendo a saída líquida de US$ 12,191 bilhões registrada em dezembro. O canal financeiro respondeu por entrada líquida de US$ 6,222 bilhões no mês passado.

O sócio e fundador da Eytse Capital, Sergio Goldenstein, destacou em nota que o aumento do apetite por ativos domésticos fez o real apresentar o melhor desempenho entre as moedas emergentes em janeiro, período marcado por enfraquecimento global do dólar.

No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, subia 0,22% no fim do dia, aos 97,600 pontos, após atingir máxima de 97,730. Analistas apontam que o movimento reflete uma recuperação pontual da moeda americana, em meio a ajustes de posições e à redução de temores sobre a independência do Federal Reserve.

Entre os indicadores divulgados nos Estados Unidos, a pesquisa ADP revisou para baixo a criação de vagas no setor privado em dezembro, de 41 mil para 37 mil postos. Já o índice de gerentes de compras (PMI) de serviços permaneceu estável em janeiro, em 53,8 pontos, dentro das expectativas do mercado.

As atenções agora se voltam para os dados do mercado de trabalho americano. Nesta quinta-feira, será divulgado o relatório Jolts, com o número de vagas abertas em dezembro. O payroll de janeiro está previsto para a próxima quarta-feira (11).