Gabriel Hirabahasi e Lavínia Kaucz | 04 de fevereiro de 2026 - 17h10

Lula diz que homens assumem papel na luta contra a violência às mulheres

Presidente defende responsabilidade masculina no enfrentamento ao feminicídio durante lançamento de pacto nacional

DIREITOS DAS MULHERES
Presidente Lula durante lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, em Brasília. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (4), que os homens passaram a assumir responsabilidade direta na luta em defesa das mulheres. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença dos chefes dos Três Poderes.

Segundo Lula, o enfrentamento à violência contra a mulher não deve ser tratado como uma pauta restrita a datas simbólicas, mas como um compromisso permanente da sociedade. Para ele, o tema precisa estar presente no cotidiano dos trabalhadores, dos sindicatos e dos ambientes de trabalho.

“A defesa da mulher é uma coisa de porta de fábrica, dos sindicatos, dos trabalhadores. Não é apenas para o Dia da Mulher”, afirmou o presidente.

Responsabilização econômica de agressores - Durante o discurso, Lula destacou uma iniciativa inédita do governo federal por meio da Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo ele, o órgão entrou com ação para responsabilizar financeiramente autores de crimes violentos contra mulheres, obrigando o agressor a arcar com o pagamento de pensão aos filhos da vítima até os 21 anos.

De acordo com o presidente, embora já existissem processos semelhantes, essa foi a primeira vez que o governo assumiu diretamente a condução da ação judicial. Lula afirmou que a medida teve decisão favorável.

“Não foi a primeira vez que teve um processo, mas foi a primeira vez que o governo assumiu a responsabilidade de reivindicar a punição econômica e, graças a Deus, recebeu a vitória”, declarou.

Combate à cultura machista - Lula também fez um apelo para que os homens atuem de forma ativa na prevenção da violência, indo além da postura individual de não cometer agressões. Para o presidente, é necessário intervir, orientar e cobrar mudanças de comportamento no convívio social.

“Não basta não ser agressor, é preciso lutar para que não haja agressores”, disse.

Ele afirmou que essa responsabilidade começa nas relações mais próximas, como família, amizades e ambiente de trabalho, e se estende a todos os espaços de convivência social.

“Cada homem neste país tem uma missão. Começando com amigos, primos, tios, vizinhos, colegas de trabalho, companheiros privados e parceiros de futebol. Não podemos nos omitir”, afirmou.

Papel do poder público - Ao falar sobre as ações do governo, Lula reforçou que o Estado continuará a aprimorar os mecanismos de proteção, prevenção e acolhimento às vítimas de violência. Segundo ele, o pacto lançado nesta quarta-feira busca integrar esforços da União, estados e municípios no enfrentamento ao feminicídio.

“Enquanto poder público, vamos aprimorar os instrumentos de proteção, prevenção e acolhimento. Enquanto homens, vamos desconstruir, tijolo por tijolo, essa cultura machista que nos envergonha a todos”, concluiu o presidente.

O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio reúne ações voltadas à prevenção da violência, fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e responsabilização dos agressores, em um cenário de preocupação com os índices de crimes contra mulheres no país.