Deputado do PL ironiza Tarcísio e defende candidatura própria em SP
Aliado de Bolsonaro, Gil Diniz usa plenário da Alesp para questionar estratégia do governo e reforçar peso do PL em 2026
ELEIÇÕES 2026O deputado estadual Gil Diniz (PL) ironizou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defendeu que o Partido Liberal lance candidato próprio ao governo de São Paulo. A declaração foi feita nesta terça-feira (3), no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em meio às negociações para a disputa eleitoral em 2026.
Na semana passada, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio afirmou que o aliado avaliava ser positiva a presença de várias candidaturas da direita na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No microfone da Alesp, Gil Diniz levou a mesma lógica para o cenário estadual e deu o recado ao governador.
“Essa mesma lógica vale para o governo de São Paulo? Porque se vale para o governo de São Paulo, vale a pena o Partido Liberal ter um candidato também, porque ajuda a chapa de (deputado) estadual, ajuda a chapa de (deputado) federal. O Partido Liberal é o maior partido do Estado de São Paulo e o maior partido do Brasil”, disse o parlamentar, ao lembrar que Tarcísio deve concorrer à reeleição.
Apontado como nome para disputar uma vaga no Senado, Gil Diniz é aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e adotou o sobrenome Bolsonaro como identificação política, como consta no site da Alesp.
Em resposta às críticas sobre o uso do sobrenome, ele negou caráter eleitoral na mudança. “Não tenho problema nenhum em colocar no meu nome parlamentar o nome do presidente Bolsonaro. Não é uma maneira politiqueira de fazer uso indevido do nome do presidente, mas de marcar posição: aqui, sim, nós defendemos o presidente Bolsonaro e sua família. Com o nome ou sem o nome, isso não define se somos bolsonaristas”, afirmou.
A fala de Gil Diniz ocorre no momento em que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende o nome do presidente da Alesp, André do Prado (PL), como vice na chapa de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes.
Mesmo assim, o deputado reforçou publicamente a tese de candidatura própria do PL em São Paulo, o que pressiona o governador e expõe divergências dentro da base bolsonarista.
Conhecido como “Carteiro Reaça”, Diniz é um dos principais nomes da bancada ligada a Bolsonaro na Alesp e foi apontado por Eduardo Bolsonaro como seu substituto na disputa ao Senado por São Paulo.
O embate entre Gil Diniz e Tarcísio não é novo. Como mostrou o jornal Estadão, o governador atuou contra a indicação do deputado para a liderança do PL na Alesp.
A troca no comando da bancada ocorreu depois que o então líder, Carlos Cezar (PL), foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). Na disputa interna, Tarcísio participou da articulação e trabalhou pela escolha de Alex Madureira (PL), que acabou confirmado como novo líder no fim do ano passado.
Segundo deputados do PL ouvidos reservadamente pelo Estadão, o governador manifestou de forma explícita sua preferência por Madureira a alguns parlamentares e, em outros casos, usou auxiliares para deixar claro à bancada que esse era o nome escolhido.
Ainda de acordo com esses relatos, o principal argumento de Tarcísio foi político. Ele avalia que precisa de um aliado próximo e moderado à frente da maior bancada da Alesp e que a escolha de um líder identificado como independente e bolsonarista poderia dificultar a articulação do Palácio dos Bandeirantes com o Legislativo em ano eleitoral.
A movimentação do governador contra a indicação de Gil Diniz incomodou o núcleo político de Jair Bolsonaro e, em especial, Eduardo Bolsonaro, segundo pessoas próximas ao deputado federal.
No meio desse tabuleiro, Gil Diniz tenta marcar posição pública, reforça o peso do PL em São Paulo e eleva o tom sobre a possibilidade de o partido ter candidatura própria ao governo, ainda que Tarcísio seja hoje o nome natural à reeleição.