Redação | 04 de fevereiro de 2026 - 09h50

Rui Costa e Rafinha viram pilares do futebol na nova gestão do São Paulo

Dirigente é mantido por Harry Massis Júnior, ganha reforço de ex-lateral no vestiário e atravessa crise herdada da era Casares

FUTEBOL BRASILEIRO
Rafinha foi contratado como gerente esportivo a pedido de Rui Costa. - (Foto: Rubens Chiri/São Paulo)

Na arrancada da gestão de Harry Massis Júnior no São Paulo, dois nomes aparecem como pontos de apoio no departamento de futebol: o executivo Rui Costa e o ex-lateral Rafinha, agora gerente esportivo. Em meio à turbulência política e às investigações que marcaram o fim da era Júlio Casares, a dupla passou a ser vista como chave no vestiário tricolor.

Bancado pelo novo presidente, Rui Costa completará cinco anos no cargo no começo deste mês. Ele atravessou a fase mais crítica da gestão anterior e foi mantido mesmo sob pressão de parte da oposição, que defendia sua saída quando Massis assumiu o comando do clube.

A chegada de Rafinha ao posto de gerente esportivo foi um pedido direto de Rui Costa e já surte efeito dentro de campo. Desde que o ex-jogador passou a atuar nos bastidores, o São Paulo emendou duas vitórias, com atuações firmes diante de Flamengo e Santos. No vestiário, atletas têm elogiado publicamente o trabalho de ambos.

O técnico Hernán Crespo também se sente mais respaldado. O argentino, que vinha repetindo o discurso de buscar “45 pontos” no Brasileirão para evitar risco, admitiu que usava a frase para proteger o elenco em meio ao ambiente conturbado. Rafinha saiu em defesa do treinador.

“Crespo é o nosso treinador. Foi muito vitorioso, é muito inteligente”, afirmou o gerente esportivo. “A gente entende as declarações, às vezes, no calor do pós-jogo, com atraso (de pagamento), sem reforços...”.

O atraso no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores foi citado por Rafinha como um problema sério, mas que não pode servir de “muleta” para justificar desempenho ruim em campo. A nova gestão promete quitar o que deve e evitar novas pendências, em tentativa de estabilizar o ambiente interno.

O clima atual é bem diferente da virada de ano. A partir do fim de 2025, com a saída do então diretor de futebol Carlos Belmonte, Rui Costa se tornou praticamente o único elo entre o elenco e a presidência ainda chefiada por Júlio Casares.

Enquanto o clube era alvo de investigações policiais e Casares enfrentava um pedido de impeachment — que terminou com sua renúncia —, o executivo conduziu o futebol praticamente sozinho. Com a chegada de Massis, a oposição insistiu em sua demissão, mas o novo presidente preferiu mantê-lo e adotar uma relação de escuta para atacar problemas extracampo.

Rui Costa é citado em um dos inquéritos que apuram possíveis crimes no São Paulo, a partir de uma denúncia anônima. A Polícia Civil, porém, inicialmente se concentrou em traçar um perfil profissional do dirigente. Ele nega qualquer irregularidade. A empresa apontada como possível laranja é parceira do clube há cerca de 20 anos, período anterior à sua chegada.

Reacomodação política no Morumbi - Enquanto tenta dar estabilidade ao futebol, Massis também mexe em posições estratégicas do clube. O assessor de imprensa do futebol, Felipe Espindola, foi escolhido para ser o novo diretor de comunicação, no lugar de José Eduardo Martins, demitido na última semana. Internamente, a troca é tratada como um movimento político da nova gestão.

Outros nomes que faziam oposição a Casares também passaram a integrar a estrutura do São Paulo. Miguel Sousa assumirá o cargo de diretor-adjunto do clube social. Já Flavio Marques e Dáurio Speranzini serão assessores financeiros, e Caio Forjaz atuará como assessor jurídico.

Desde a posse de Massis, algumas peças ligadas à antiga administração deixaram seus postos. O CEO Márcio Carlomagno, considerado braço direito de Casares, teve a saída determinada. Antônio Donizete, o Dedé, também deixou a diretoria social. Embora, internamente, a versão seja de demissão, ele divulgou um comunicado afirmando que a renúncia foi uma escolha pessoal para “autopreservação”.

Entre ajustes políticos, investigações externas e cobranças esportivas, Rui Costa e Rafinha se tornam figuras centrais na tentativa de blindar o vestiário e sustentar o futebol tricolor em mais uma fase de reconstrução.