Por Heloysa Furtado | 05 de fevereiro de 2026 - 08h00

Crescer rápido é mérito, sustentar o crescimento é estratégia

Em artigo de opinião, a advogada e professora Heloysa Furtado avalia o crescimento acelerado de empresas e alerta para a importância da governança, do compliance e da gestão da qualidade.

OPINIÃO
Heloysa Vareschini Furtado é advogada em Campo Grande (MS), com atuação em direito empresarial, compliance e governança corporativa. - (Foto: Arquivo)

O ambiente empresarial de Mato Grosso do Sul tem vivido um movimento interessante nos últimos anos: empresas jovens, com pouco tempo de constituição, que rapidamente ampliam faturamento, estrutura física, equipes e alcance de mercado. Esse crescimento acelerado é, sem dúvida, reflexo de um ecossistema empreendedor mais maduro, inovador e conectado às oportunidades locais e nacionais.

Entretanto, junto com essa expansão, surge um desafio recorrente e muitas vezes subestimado: a necessidade de estruturar profissionalmente a empresa na mesma velocidade em que ela cresce.

É comum encontrar negócios com dois ou três anos de existência que já operam como empresas de médio porte, mas ainda tomam decisões de forma centralizada, sem processos bem definidos, controles internos adequados ou políticas claras de gestão de riscos. No curto prazo, esse modelo pode até funcionar. No médio e longo prazo, porém, tende a gerar insegurança jurídica, ineficiência operacional e dificuldades para atender às exigências do mercado.

Ainda persiste a ideia de que temas como governança corporativa, compliance e gestão da qualidade são exclusivos de grandes organizações. Na prática, ocorre justamente o contrário: quanto mais jovem e em expansão está a empresa, maior é a necessidade de criar bases sólidas que sustentem seu crescimento.

A gestão da qualidade contribui para a padronização de processos, redução de retrabalho e aumento da eficiência. O compliance atua na prevenção de riscos legais, trabalhistas, fiscais e reputacionais, além de fortalecer a cultura ética da organização. A governança, por sua vez, organiza papéis, responsabilidades e critérios de tomada de decisão, promovendo transparência, previsibilidade e alinhamento entre sócios e gestores.

Empresas que se estruturam desde cedo colhem benefícios concretos. Tornam-se mais preparadas para auditorias, parcerias estratégicas, operações de crédito e expansão para novos mercados. Transmitem mais confiança a clientes, fornecedores e investidores, além de enfrentarem períodos de instabilidade com maior resiliência.

Crescer é um mérito. Mas sustentar esse crescimento de forma organizada, ética e eficiente é uma decisão estratégica. Em um mercado cada vez mais competitivo e regulado, a profissionalização da gestão deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito para a longevidade dos negócios.

(*) Sobre a Autora - Heloysa Vareschini Furtado é advogada em Campo Grande (MS), com atuação em direito empresarial, compliance e governança corporativa. É diretora da ALLEG Soluções Treinamentos Empresariais, professora universitária e conselheira estadual da OAB-MS. Pesquisa e escreve sobre os desafios da profissionalização da gestão, ética nos negócios e crescimento sustentável das empresas.