Exposição sobre adoção chega a Dourados e segue aberta no Fórum até março
Mostra reúne histórias de famílias formadas pela adoção e propõe reflexão sobre convivência familiar
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICADepois de passar por Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas, a exposição fotográfica Nasce uma Família – A história continua está aberta para visitação no Fórum de Dourados. A mostra pode ser conferida até o dia 9 de março e apresenta histórias reais de famílias sul-mato-grossenses formadas por meio da adoção, convidando o público a refletir sobre o direito à convivência familiar e a importância do acolhimento.
A visitação é gratuita e ocorre das 12h às 19h, nos dias de expediente do Fórum. A iniciativa dá continuidade a um projeto criado em 2019 pela Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), com o objetivo de estimular o debate sobre adoção e evidenciar os impactos positivos desse processo na vida de crianças, adolescentes e adultos.
Nesta edição, a exposição conta com sete totens que reúnem imagens de 11 famílias de diferentes perfis, retratando experiências diversas de adoção. O material reúne registros da edição anterior e novas histórias incorporadas ao projeto. As fotografias foram produzidas por Alexis Prappas, Aniela Paes, Antônio Arguello, Beatriz Terra, Beto Nascimento e Fabrinny Piell, que buscaram destacar os vínculos afetivos e as relações construídas ao longo do processo de formação familiar.
A adoção é um procedimento legal e definitivo, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece vínculo de parentesco entre pessoas sem laços biológicos, garantindo aos filhos adotivos os mesmos direitos dos filhos biológicos. Para muitos, trata-se de um caminho que redefine trajetórias e cria novas histórias de pertencimento.
Uma dessas histórias é a da juíza Ana Carolina Farah da Silva, titular da 1ª Vara de Família e Sucessões de Dourados, mãe de dois filhos adotivos, hoje com 18 e 19 anos. Ela relata que, antes da adoção, passou por tentativas frustradas de fertilização. A chegada do primeiro filho adotivo, ainda recém-nascido, levou à decisão de abandonar o tratamento. Um ano e cinco meses depois, a família adotou também o irmão biológico da criança.
“Nós adotamos nossos dois filhos ainda recém-nascidos, e posso dizer que, assim como mudamos a vida deles, eles transformaram completamente a nossa”, afirma a magistrada. Para ela, o conceito de família vai além do vínculo biológico. “Uma família não depende de laços de sangue, mas dos vínculos construídos ao longo do cuidado, do afeto e do maternar”, ressalta.
Com experiência na Vara da Infância de Fátima do Sul, Ana Carolina destaca que acompanhar processos de adoção ao longo dos anos evidencia o impacto positivo desse gesto na vida de crianças, adolescentes e das próprias famílias. Ela também chama atenção para a importância de apresentar diferentes realidades, como adoções inter-raciais e de crianças com deficiência.
“A adoção é uma forma legítima e maravilhosa de se formar uma família, tanto para quem não pode ter filhos biológicos quanto para quem deseja uma família diversa, formada por filhos biológicos e adotivos”, afirma. Segundo ela, iniciativas como a exposição contribuem para fortalecer a cultura da adoção e ampliar o entendimento da sociedade sobre o tema.
“É importante divulgar essas histórias. A mostra foi pensada para isso e traz exemplos diversos, com famílias multirraciais, adoções de crianças com deficiência e outras trajetórias inspiradoras”, conclui.
A exposição Nasce uma Família – A história continua foi inaugurada em 20 de maio de 2025, em alusão ao Dia Nacional da Adoção, no shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande. Desde então, passou por espaços como o Comper Itanhangá, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a sede do TJMS, o Fórum de Campo Grande e as comarcas de Corumbá e Três Lagoas, até chegar a Dourados.