Torcedores protestam na Vila e no CT e cobram diretoria do Santos
Faixas criticam gestão, mercado da bola e venda de promessas em momento delicado da equipe
CRISE NO SANTOSTorcedores do Santos protestaram nesta terça-feira (3) com faixas estendidas na Vila Belmiro e no Centro de Treinamento Rei Pelé. As manifestações tiveram como principais alvos o presidente do clube, Marcelo Teixeira, e o executivo de futebol, Alexandre Mattos. O material foi retirado pelo próprio clube ainda na manhã desta terça.
As mensagens expressaram insatisfação com diferentes pontos da administração atual, como a condução do futebol profissional, a política de contratações, a venda de jovens atletas revelados na base e as discussões em torno da criação de uma SAF e da construção de uma nova arena.
Entre os dizeres expostos pelos torcedores estavam críticas diretas à gestão e ao investimento realizado no elenco. Frases como “$200m ‘inve$tido$’”, “ge$tão: vendem joias, compram ilusão” e “MT + Matto$ = 171” foram vistas nos arredores das instalações do clube.
Uma das faixas também direcionou críticas a parte da própria torcida, especialmente aos proprietários de cadeiras numeradas da Vila Belmiro, cobrando mais apoio ao time durante os jogos e menos manifestações contrárias nas arquibancadas.
As manifestações ocorrem em meio a um momento de pressão esportiva. Na noite de segunda-feira (2), Marcelo Teixeira utilizou as redes sociais para se posicionar diante das críticas, defender o trabalho da diretoria e pedir um “voto de confiança” aos torcedores e associados.
“Estamos à frente de um processo de reconstrução do Santos Futebol Clube faz apenas dois anos, em um dos momentos mais desafiadores da sua história. Com foco em organização, responsabilidade e planejamento de longo prazo, trabalhamos para retomar nossa força e recolocar o Clube nos trilhos”, afirmou o presidente.
No mesmo comunicado, Teixeira mencionou projetos estruturais considerados centrais para o futuro do clube, como a nova arena e a possível SAF. Segundo ele, essas iniciativas fazem parte de um plano para modernizar o Santos e garantir sustentabilidade financeira. “Esses avanços, naturalmente, incomodam alguns, que se aproveitam dos resultados iniciais da temporada de 2026 para tentar criar crises, desinteressados na concretização desses projetos”, escreveu.
O dirigente reconheceu o momento esportivo desfavorável, mas voltou a pedir paciência. “Nenhum santista está satisfeito com a campanha atual da equipe profissional. Ainda assim, pedimos o voto de confiança do quadro associativo e dos torcedores para que, juntos, possamos alcançar novos objetivos em 2026, assim como fizemos em 2024 e 2025”, completou.
Dentro de campo, o cenário amplia a tensão. O Santos ocupa a 14ª colocação do Campeonato Paulista, apenas uma posição acima da zona de rebaixamento. No Campeonato Brasileiro, a equipe estreou com derrota por 4 a 2 para a Chapecoense.
Na tentativa de reação, o time santista volta a campo nesta quarta-feira (4), quando enfrenta o São Paulo, na Vila Belmiro, pela segunda rodada do Brasileirão. O clássico acontece sob clima de cobrança externa e pressão por resultados.