Renan Monteiro e Mateus Maia | 03 de fevereiro de 2026 - 14h15

Haddad diz que vazamento atrapalhou indicações ao Banco Central e critica reação a nomes

Ministro afirma que exposição antecipada gerou desgaste e defende currículo de indicados à diretoria do BC

ECONOMIA
Fernando Haddad afirmou que vazamento prejudicou indicações à diretoria do Banco Central - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que o vazamento das indicações para a diretoria do Banco Central prejudicou a tramitação dos nomes defendidos pelo governo. Em entrevista à Rádio BandNews, concedida na manhã de hoje, Haddad disse ter estranhado o que classificou como uma “reação orquestrada” contra os indicados para a cúpula da autoridade monetária.

Segundo o ministro, a divulgação antecipada dos nomes acabou criando ruídos desnecessários no processo. “Se quem vazou queria ajudar, atrapalhou”, afirmou Haddad durante a entrevista, ao comentar os impactos do vazamento no debate público e político em torno das indicações.

Os nomes citados são os de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, apontados para ocupar duas cadeiras na diretoria do Banco Central. As vagas foram abertas após a saída de Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, que comandava a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. Ambos deixaram os cargos no fim de 2025 e haviam sido nomeados pelo governo anterior.

Haddad saiu em defesa dos indicados e ressaltou a formação técnica e a reputação profissional de Mello e Cavalcanti. “Cavalcanti e Mello são eticamente irrepreensíveis, quem está criticando não sabe do que está falando”, disse o ministro da Fazenda.

Tiago Cavalcanti é professor titular de Economia e integrante do Trinity College da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Para Haddad, ele se destaca entre os economistas brasileiros que atuam no exterior. “Talvez seja uma das grandes estrelas da economia entre os profissionais brasileiros com menos de 50 anos”, avaliou.

Já Guilherme Mello ocupa atualmente o cargo de secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Haddad elogiou o desempenho do economista na função e destacou sua atuação dentro da equipe econômica do governo federal.

O tema das indicações ao Banco Central voltou à pauta pública nas últimas semanas. Há cerca de três semanas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, mencionou novamente o assunto, embora ainda não tenha ocorrido uma reunião específica para tratar das nomeações de forma definitiva.

Haddad revelou que conversou com Lula sobre as indicações ainda em novembro, mas reconheceu que, naquele momento, o presidente não estava focado na questão. Segundo o ministro, Lula “não está com a cabeça nisso”, indicando que a decisão final ainda depende de articulações internas no governo.

As indicações para a diretoria do Banco Central precisam passar por aprovação do Senado Federal, após serem formalizadas pelo presidente da República. Até lá, o debate segue em meio a críticas e defesas dos nomes cotados para o comando da instituição.