Redação O Estado de S. Paulo | 03 de fevereiro de 2026 - 14h05

PF investiga suspeita de corrupção em obras públicas no interior do Amapá

Mandados foram cumpridos em três municípios e apuram fraudes em licitações que somam mais de R$ 7 milhões

POLÍCIA FEDERAL
Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em municípios do Amapá - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (3) quatro mandados de busca e apreensão nos municípios de Amapá, Mazagão e Macapá, no âmbito de uma investigação que apura um possível esquema de corrupção e fraude em licitações de obras públicas em administrações municipais do interior do Estado.

O foco da apuração recai principalmente sobre as gestões das prefeituras de Amapá e Mazagão. O município de Amapá está localizado a cerca de 300 quilômetros de Macapá, enquanto Mazagão fica a aproximadamente 36 quilômetros da capital. As diligências também alcançaram endereços em Macapá, onde estariam pessoas e empresas ligadas ao esquema investigado.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que empreiteiros teriam efetuado pagamentos indevidos a agentes públicos para obter vantagens em processos licitatórios. O objetivo seria direcionar concorrências e garantir a celebração de contratos com a administração pública municipal.

As obras sob investigação envolvem valores superiores a R$ 7 milhões. De acordo com os investigadores, os contratos teriam sido firmados a partir de procedimentos supostamente viciados, com favorecimento de empresas específicas em troca de propina.

Durante a operação, os agentes federais buscaram documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam comprovar a existência do esquema e identificar todos os envolvidos. O material apreendido será analisado para aprofundar as investigações e esclarecer a dinâmica das irregularidades.

Os suspeitos poderão responder por uma série de crimes, entre eles fraude em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para esses crimes podem ultrapassar 30 anos de reclusão, além da aplicação de multas, caso as irregularidades sejam confirmadas pela Justiça.

A Polícia Federal não informou se houve prisões nesta fase da investigação nem divulgou os nomes dos investigados. O inquérito segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

A apuração integra o esforço das autoridades federais para combater desvios de recursos públicos e irregularidades em contratos de obras, especialmente em administrações municipais, onde o controle sobre licitações costuma ser mais vulnerável.