Douglas Vieira | 02 de fevereiro de 2026 - 20h29

Cassems lança tecnologia inédita de telecirurgia no Centro-Oeste no hospital de Campo Grande

Hospital já realizou mais de 300 cirurgias robóticas e passa a integrar médicos de qualquer lugar do mundo aos procedimentos

SAÚDE E INOVAÇÃO
Presidente da Cassems, Ricardo Ayache e o CEO da Hospcom, Gabriel Alencar, participam da apresentação da nova plataforma de telecirurgia no Hospital Cassems de Campo Grande - Foto: Douglas Vieira

O Hospital Cassems de Campo Grande deu mais um passo para colocar Mato Grosso do Sul no mapa da medicina de alta complexidade no Brasil. A instituição passou a operar com uma plataforma de telecirurgia considerada inédita no Centro-Oeste, capaz de conectar cirurgiões que estão em diferentes partes do país ou até do mundo a procedimentos realizados dentro do hospital. A tecnologia utiliza o robô cirúrgico Toumai, que já vinha sendo empregado em cirurgias robóticas convencionais na unidade.

A esquerda uma sala do centro cirúrgico do hospital cassems com o robô tomai, e a direita o robô tomai, que ja realizou 24 cirurgias aqui na Capital.

A novidade foi apresentada durante encontro com a imprensa e profissionais da saúde e marca uma nova etapa na utilização da cirurgia robótica no Estado. Segundo a direção da Cassems, a telecirurgia amplia o acesso a procedimentos complexos, reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros e fortalece a atuação dos médicos locais.

Atualmente, o Hospital Cassems já ultrapassou a marca de 300 cirurgias robóticas realizadas em diferentes especialidades. Somente com o robô Toumai, foram feitos 24 procedimentos até o momento.

Precisão cirúrgica e recuperação mais rápida - A cirurgia robótica vem sendo adotada no hospital há mais de um ano e, de acordo com os médicos envolvidos, os benefícios para os pacientes são significativos. Entre eles estão maior precisão nos movimentos, menor risco de complicações, redução do sangramento e um pós-operatório mais rápido e menos doloroso.

O Urologista especialista em cirurgia robótica, Rafael Buta

O urologista Rafael Buta, especialista em cirurgia robótica e com formação pelo Hospital Sírio-Libanês, explicou que a tecnologia mudou de forma definitiva a maneira como muitos procedimentos são realizados, especialmente na oncologia. “Na cirurgia de próstata, por exemplo, o paciente que antes ficava internado de três a cinco dias hoje, em muitos casos, recebe alta no dia seguinte. Além disso, o risco de sequelas funcionais é muito menor”, afirmou.

Segundo o médico, a plataforma robótica elimina o tremor das mãos do cirurgião e permite uma visualização ampliada em até 20 vezes, em três dimensões. Isso possibilita intervenções mais precisas e menos invasivas, com pequenos cortes e maior preservação de estruturas importantes do corpo.

Telecirurgia conecta especialistas à distância - O principal diferencial anunciado agora é a incorporação da telecirurgia. Com essa tecnologia, um cirurgião pode atuar à distância, auxiliando ou até participando diretamente de um procedimento realizado no Hospital Cassems, em tempo real.

Na prática, um médico local permanece no centro cirúrgico, enquanto outro profissional, mesmo estando em outro estado ou país, pode acompanhar a cirurgia pelo console do robô, orientar decisões e colaborar tecnicamente. Todo o processo ocorre com camadas adicionais de segurança, incluindo infraestrutura dedicada de internet, redundância de sistemas e a presença de um cirurgião de retaguarda no local.

Gabriel Alencar Coelho, CEO do grupo Hospcom. (Foto: Douglas Vieira)

De acordo com Gabriel Alencar Coelho, CEO do Grupo Hospcom, responsável pela tecnologia, esse modelo já foi utilizado com sucesso em outras regiões do Brasil. Um dos exemplos citados foi uma telecirurgia realizada entre São Paulo e Porto Alegre, sem intercorrências.

O robô Toumai é uma plataforma desenvolvida por uma empresa com sede em Xangai, na China, e já está presente em hospitais de estados como São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Rondônia. No Brasil, trata-se da primeira plataforma neuro-robótica com capacidade integrada de telecirurgia.

Segundo a Hospcom, a adaptação dos médicos à tecnologia tem sido rápida, inclusive entre profissionais que já operavam outros sistemas robóticos. A curva de aprendizado, conforme a empresa, é considerada curta, o que facilita a expansão do uso da plataforma.

Além da atuação clínica, o sistema também permite a mentoria e o treinamento de novos cirurgiões à distância, com simulações e acompanhamento em tempo real durante procedimentos.

Impacto direto para pacientes do Estado - Para a direção da Cassems, o avanço tecnológico traz impacto direto na vida dos pacientes do Mato Grosso do Sul. Com a possibilidade de realizar procedimentos complexos no próprio Estado, diminui-se a necessidade de tratamento fora da região, o que representa economia e mais conforto para quem precisa de cirurgia.

Segundo a instituição, não haverá cobrança adicional na mensalidade dos beneficiários em razão da nova tecnologia. O custo está relacionado apenas aos materiais utilizados nos procedimentos. Em muitos casos, a realização da cirurgia no Estado representa uma redução de até 70% ou 80% em comparação a tratamentos feitos fora de Mato Grosso do Sul.

Atualmente, o Hospital Cassems de Campo Grande realiza entre 1.100 e 1.200 cirurgias por mês e conta com certificação ONA nível 3, o mais alto da categoria no país. A unidade também atua na formação de profissionais, com programas de residência médica em diversas especialidades.

Durante o evento, a direção do hospital confirmou que a primeira telecirurgia do Centro-Oeste deve ser realizada em breve, em parceria com outra instituição da região. A data ainda não foi divulgada, mas a expectativa é que o procedimento consolide o Hospital Cassems como referência nacional em inovação na área da saúde.

Para a Cassems, a combinação entre cirurgia robótica, telecirurgia e formação profissional representa um caminho sem volta na modernização do atendimento hospitalar. A aposta, segundo a instituição, é usar a tecnologia não apenas como vitrine, mas como ferramenta concreta para salvar vidas e ampliar o acesso à medicina de alta complexidade.