Vera Rosa | 02 de fevereiro de 2026 - 21h15

Governo acelera projeto para acabar com escala 6x1 e estuda urgência constitucional

Planalto quer votação rápida no Congresso e tenta evitar que ano eleitoral atrase análise

POLÍTICA
Governo avalia enviar projeto sobre o fim da escala 6x1 em regime de urgência ao Congresso. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O governo federal avalia enviar à Câmara dos Deputados um projeto de lei em regime de urgência constitucional para viabilizar a votação da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1. A medida é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição e passou a ser tratada como prioridade pelo Palácio do Planalto.

A possibilidade foi confirmada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. “Estamos avaliando essa possibilidade, sim”, afirmou. Pela Constituição, projetos enviados em regime de urgência devem ser analisados em até 45 dias na Câmara e mais 45 dias no Senado. Caso o prazo não seja cumprido, a proposta passa a trancar a pauta de votações.

A pressa do governo está relacionada ao calendário político de 2026, considerado mais curto. No segundo semestre, a tendência é que deputados e senadores reduzam a presença em Brasília para se dedicar às campanhas eleitorais, o que costuma dificultar a tramitação de projetos considerados sensíveis.

Além disso, interlocutores do Planalto avaliam que o escândalo envolvendo o Banco Master e suas conexões políticas pode gerar instabilidade no Congresso e afetar o andamento das votações ao longo do ano.

Na mensagem enviada por Lula ao Congresso nesta segunda-feira (2), com as prioridades do Executivo para 2026, o fim da escala 6x1 aparece listado como um dos “desafios” do governo. O texto também menciona outros projetos considerados estratégicos, como a regulação do trabalho por aplicativos e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

Atualmente, o Congresso discute ao menos cinco propostas sobre o tema: quatro PECs e um projeto de lei. As iniciativas, no entanto, divergem em pontos centrais, como a carga horária semanal e o formato da transição para um novo modelo de jornada.

Para o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), a falta de consenso dificulta o avanço das propostas em tramitação. “Acho que é melhor tentarmos juntar as propostas e enviar um novo texto”, afirmou. A ideia é apresentar um projeto com maior alinhamento político, reduzindo resistências entre as bancadas.

Como parte da estratégia para destravar a pauta, o presidente Lula deve intensificar o diálogo com o Congresso nos próximos dias. Nesta quarta-feira (4), o chefe do Executivo vai receber o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes de partidos aliados para um churrasco na Granja do Torto.