Relator da CPMI do INSS pede quebra de sigilo de Lulinha e pessoas do entorno de Lula
Comissão entra em 2026 mirando vínculos financeiros no esquema de descontos ilegais em aposentadorias
POLÍTICAO relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou nesta segunda-feira (2) requerimentos que ampliam o foco das investigações e atingem diretamente pessoas ligadas ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa marca a retomada dos trabalhos da comissão em 2026, com avanço sobre o núcleo político apontado pela investigação.
Os pedidos solicitam a quebra dos sigilos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente; da advogada Roberta Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha; e da publicitária Danielle Fonteles, que atuou em campanhas eleitorais do PT até 2015.
Segundo Alfredo Gaspar, os três aparecem em movimentações financeiras relacionadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é citado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores do esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.
De acordo com o relator, a apuração busca esclarecer a origem, o destino e o fluxo de recursos ligados ao grupo investigado, além de identificar possíveis intermediários financeiros usados para repasse de valores.
Em um dos requerimentos, Gaspar afirma que a inclusão de Lulinha na investigação decorre de mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Em uma delas, Antônio Camilo teria sido questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado a uma empresa de Roberta Luchsinger.
“A necessidade de investigar Fabio Luis decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, argumenta o relator.
Segundo a Polícia Federal, a expressão seria uma referência direta a Lulinha, levantando a suspeita de que Roberta Luchsinger teria atuado como intermediária financeira para o repasse de vantagens indevidas.
Gaspar também cita que mensagens atribuídas à advogada orientariam o Careca do INSS a destruir provas, o que reforçaria a necessidade de aprofundar a análise das movimentações financeiras.
No caso da publicitária Danielle Fonteles, o relator afirma que ela ocupa um “papel estratégico e transnacional” dentro da estrutura investigada pela Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo Gaspar, a posição dela no grupo investigado levanta suspeitas sobre ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas com possível finalidade de lavagem de dinheiro. Os requerimentos apontam que a quebra de sigilo é essencial para esclarecer o grau de envolvimento de cada uma das pessoas citadas.
Lulinha já teve convocações rejeitadas anteriormente pela CPMI após articulações da base governista. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que ele tenha recebido valores oriundos dos negócios do Careca do INSS por meio da empresária Roberta Luchsinger.
Alfredo Gaspar afirmou que, em 2026, a CPMI do INSS entra em uma nova etapa das investigações, com foco ampliado sobre instituições financeiras, agentes públicos e todos os envolvidos nas irregularidades ligadas aos empréstimos consignados.
“Agora vamos continuar com os descontos associativos e acrescentar os empréstimos consignados. Esses primeiros depoimentos são de grande importância para que possamos entender como as instituições bancárias têm relação com essas irregularidades”, declarou o deputado.
A previsão é que a comissão ouça nesta quinta-feira (5) o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Maurício Camisotti, preso na Operação Sem Desconto; e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
No campo governista, parlamentares também apresentaram requerimentos mirando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco está em Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde abril de 2021.
Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, coproprietário da empresa Voga, ligada ao Careca do INSS. A Polícia Federal identifica Alexandre como sócio de uma offshore do esquema, a Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a investigação, a empresa teria sido usada para ocultar patrimônio obtido de forma irregular.
O deputado Rogério Correia (PT-MG), autor do requerimento, sustenta que há conexões familiares, profissionais e societárias que justificam a convocação de Flávio Bolsonaro e de Letícia para prestar esclarecimentos à CPMI.
“Diante do estreito entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político descrito, suscita-se a existência de possível conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes”, afirma o parlamentar.