Hugo Henud | 02 de fevereiro de 2026 - 20h00

Pablo Marçal é condenado a indenizar Boulos por notícias falsas nas eleições de 2024

Justiça de São Paulo entendeu que ataques associando o adversário ao uso de drogas extrapolaram a crítica política

POLÍTICA
Justiça condenou Pablo Marçal a indenizar Guilherme Boulos por ataques e notícias falsas na campanha de 2024. - (Foto: Montagem/g1/Fábio Tito)

O empresário Pablo Marçal (PRTB) foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil por danos morais ao atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL). A decisão se refere à divulgação de notícias falsas durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, quando Marçal associou o adversário ao uso de drogas.

A sentença foi proferida pelo juiz Danilo Fadel de Castro, que considerou parcialmente procedente a ação movida por Boulos. Para o magistrado, as declarações feitas por Marçal ultrapassaram os limites da crítica política e configuraram ofensa direta à honra do então candidato do PSOL.

Procurado por meio de sua assessoria, Pablo Marçal não se manifestou sobre a decisão até a publicação desta reportagem.

Durante a disputa eleitoral, Marçal e Boulos protagonizaram uma campanha marcada por ataques pessoais. Em debates, o ex-coach chegou a fazer gestos insinuando o uso de drogas pelo adversário e utilizou termos como “cheirador” e “aspirador de pó”, acusações que também foram replicadas em publicações nas redes sociais.

Na avaliação do juiz, esse tipo de conduta não se enquadra no debate político legítimo e fere direitos fundamentais da personalidade. Além da indenização, Marçal foi condenado ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como de honorários advocatícios fixados em 15% sobre o valor atualizado da condenação.

As declarações já haviam gerado sanções na esfera eleitoral. Durante a campanha, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo multou Marçal em razão dos ataques contra Boulos. Às vésperas do pleito, o então candidato do PRTB também publicou em seu perfil no Instagram um laudo falso que atribuía ao adversário um suposto encaminhamento para atendimento psiquiátrico em 2021 por uso de cocaína.

A imagem, retirada do ar cerca de uma hora após a postagem, simulava um receituário médico e mencionava um “surto psicótico grave”, com referências a “delírio persecutório e ideias homicidas”. A informação foi posteriormente desmentida e classificada como falsa pela campanha de Boulos.