Antonio Perez | 02 de fevereiro de 2026 - 19h15

Dólar sobe levemente após rali do real em janeiro e fecha a R$ 5,25

Movimento foi atribuído à realização de lucros e à alta da moeda americana no exterior; indicação ao BC teve impacto limitado

ECONOMIA
Dólar fechou em leve alta nesta segunda-feira, após forte queda acumulada em janeiro. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar encerrou esta segunda-feira (2) em leve alta no mercado doméstico, acompanhando o avanço da moeda americana no exterior. Apesar da valorização de algumas divisas latino-americanas, o real apresentou desempenho inferior, em um movimento atribuído por operadores à realização de lucros após o forte rali observado em janeiro.

A sessão também foi marcada pela queda de mais de 4% nos preços do petróleo, em meio à redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, fator que contribuiu para ajustes pontuais nas moedas de países emergentes exportadores de commodities.

Depois de registrar mínima de R$ 5,2370 na primeira hora de negócios, o dólar à vista passou a operar em terreno positivo ao longo do dia. A moeda chegou à máxima de R$ 5,2815 e fechou em alta de 0,22%, cotada a R$ 5,2593. Em janeiro, o dólar havia acumulado queda de 4,40%.

Segundo gestores ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, houve algum desconforto nas mesas de operação com a possível indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ainda assim, a avaliação predominante foi a de que o fator não teve influência relevante na formação da taxa de câmbio.

“Temos uma ligeira alta do dólar aqui, enquanto outras moedas emergentes se apreciam. Parece mais algo técnico, já que o real vem de uma valorização bem forte”, avaliou a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli. Para ela, não há mudança na tendência positiva da moeda brasileira. “Embora o Banco Central tenha deixado claro que deve iniciar o ciclo de corte da Selic em março, o diferencial de juros continuará bastante atrativo para o carry trade”, completou.

No cenário externo, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou pelo segundo pregão consecutivo e subia cerca de 0,70% no fim da tarde, ao redor dos 97,600 pontos, próximo da máxima do dia. Mesmo assim, o indicador ainda acumula queda de aproximadamente 0,65% no ano.

Os juros dos títulos do Tesouro americano também subiram, refletindo sinais de força da economia dos Estados Unidos. O principal dado do dia, o índice de atividade industrial do Instituto para Gestão da Oferta (ISM), avançou de 47,9 em dezembro para 52,6 em janeiro, superando com folga as projeções do mercado.

Para o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, o mercado ainda digere a indicação do ex-diretor do Federal Reserve Kevin Warsh para a presidência do banco central americano, no lugar de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Na avaliação de Viotto, o nome de Warsh ajudou a reduzir temores de ingerência política no Fed, apesar de o ex-dirigente já ter se manifestado favoravelmente a um alívio monetário.

“Warsh tem histórico mais duro no combate à inflação e é crítico da expansão do balanço do Fed. Se assumir com essa postura, pode reduzir a tendência de queda global do dólar”, afirmou. Ele vê espaço para nova rodada de apreciação do real no primeiro trimestre, caso não haja aumento da aversão ao risco no exterior. “O dólar pode cair para R$ 5,00 neste primeiro trimestre, com a Selic ainda elevada e a eleição presidencial distante”, disse.

No noticiário doméstico, a possível ida de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central voltou a ganhar atenção. Um diretor de investimentos, sob condição de anonimato, afirmou que o tema foi discutido entre gestores ao longo do dia, diante do perfil considerado mais heterodoxo do economista e de sua proximidade com o PT.

Outro gestor experiente, porém, minimizou a relação entre a indicação e o desempenho do real. “Pode até ter tido alguma influência, mas sou crítico a essas reações do mercado, que costuma olhar torto para quem não vem de um grande banco”, afirmou, citando o próprio presidente do BC, Gabriel Galípolo, que, segundo ele, tem adotado uma política monetária mais dura do que a esperada inicialmente.